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  • Eai galera!
    Essa semana tivemos diversas mat√©rias na televis√£o, jornal, internet sobre os¬†malef√≠cios¬† do Arguile comparado ao cigarro. Para variar, todas tendenciosas e¬†extremamente¬†mentirosas, dizendo que o arguile tem (mais) alcatr√£o, que 1 hora equivale a 100 cigarros e por ai vai…

     

    Decidi fazer esse vídeo para mostrar a real diferença de ambos, um teste bem fácil de fazer, o qual qualquer um consegue. Dei também minha opinião sobre todo esse cenário.

     

    Desculpem pela imagem borrada na primeira parte do vídeo, não sei o motivo pelo qual ficou assim. O vídeo ficou longo mas vale a pena ver ele por inteiro!

     

    Peço que todos compartilhem esse vídeo, seja em Facebook, Twitter, Google+, entre outros. Quanto mais pessoas verem com os próprios olhos essa diferença mostrada no vídeo, menos o Arguile será taxado como droga e outros derivados.

     

    Obrigado!

    Qualquer d√∫vida, segue o meu e-mail: vinicius@blogdoarguile.com.br

  • Ol√° Galera!

    Conforme prometido e pela grande repercuss√£o do post anterior, o Victor Ribeiro e Eu decidimos traduzir mais este artigo, que com certeza vale a leitura completa!

    Espero que gostem!

     

    A versão original (e com imagens) desta entrevista pode ser vista clicando aqui.

    A versão traduzida (e com imagens) abaixo pode ser baixada clicando aqui.

     

    Uma pris√£o global?

    Nessa entrevista exclusiva, o pesquisador especialista em tabaco, Dr. Kamal Chaouachi, fala para Chris Snowdown sobre o arguilé e o movimento anti-tabaco, e explica o por quê a Organização Mundial da Saúde tem perdido a sua credibilidade científica na área do tabaco.

     

     

    Uma entrevista com o Dr Kamal Chaouachi

     

    A Organização Mundial da Saúde aumentou a sua atenção para o uso de cachimbos d’água (arguilés) como forma de fumar. Durante anos, cachimbos d’água (hookahs, shishas ou narghiles) caíram no radar das organizações anti-tabaco em sua luta contra o cigarro. Isso se dá por não serem tão usados no mundo ocidental,  e pelo crença de que – como cachimbos, charutos e tabaco de mascar – são significativamente menos perigosos para a saúde.
    Dr Kamal Chaouachi (pronuncia-se Sha-wa-shi) é um pesquisador de tabaco de Paris que possivelmente é o maior especialista científico do fumo de narguilé. Ele é um colaborador científico de vários excelentes centros de pesquisa na Ásia, África e Europa. Também trabalhou como consultor, embora nunca tenha sido contratado pela indústria farmacêutica ou do tabaco.
    Dr Chaouachi foi autor e co-autor de dois livros de conhecimento transdicisplinar e dúzias de publicações biomédicas incluindo:

    -a critique of the WHO expert report on hookah smoking (2006);
    -the first world aetiological studies on hookah smoking and cancer (2007, 2008);
    -a study on its radiological hazards (2008);
    -a 60 page Tetralogy on Hookah and Health (2005, 2006);
    -an in-depth critical review of its ETS (Environmental Tobacco Smoke), i.e. passive smoking (2009)

    Uma lista de v√°rios artigos do Dr Chaouachi’s podem ser vistos em:
    http://publicationslist.org/kamal.chaouachi

    CS: Dr Chaouachi, poderia contar um pouco sobre você e seu trabalho?

    KC: Eu estudei física, química e ciências sociais nas universidades de Paris VII e Paris X. Eu tenho um diploma de pós-graduação em ciência do tabaco da Universidade de Patis XI, onde eu também ensino doutores franceses o que a ciência diz sobre narguilés. Sou especializado somente em narguilés, e não em cigarros. Eu tenho pesquisado as questões do tabaco, principalmente de uma perspectiva médico-antropológica.

    Eu nasci na Tunísia. Fui criado lá, na França e no Oriente Médio. Tunísia é um país interessante porque foi onde eu notei o cenário do narguilé. No final dos anos 80, uma coisa incomum aconteceu lá: fumar narguilé em áreas abertas foi proibido enquanto fumar em locais fechados permanecia permitido, para não falar encorajado. Talvez alguns ministros naquela época pensaram que a visão de adultos fumando narguilé em publico (particularmente nos terraços dos cafés) não passava uma imagem positive para as multidões de turistas que visitavam o país a cada ano. Pouco a pouco, eles perceberam que os turistas na verdade gostavam de fumar arguilé então esqueceram a proibição.

    CS: Hoje, países como a Britânia e a França incluiram bares de arguilés em suas largas proibições para fumo em locais fechados. Julgando pela divulgação da imprensa sobre a pesquisa da OMS em 2006, pode-se pensar que cigarros têm apenas uma pequena importância na taxa de mortalidade por tabaco. Hoje, a OMS declara explicitamente que todas as formas de tabaco são igualmente perigosas. Ela alega que 5 milhões de pessoas morrem no mundo de doenças relacionadas ao tabaco, e prediz que essa taxa dobrará para 10 milhões em 2020. Mas a OMS alerta que mesmo essa estimative pode ser muito baixa por conta do uso do arguilé, dizendo:


    ” Formas de fumar diferentes do cigarro, como cachimbos de √°gua, tamb√©m conhecidos como ‚Äúshishas‚Äù, ‚Äúnarghiles‚Äù ou “hubble-bubbles”, ganham maior aceita√ß√£o em todo mundo, especialmente entre hovens em caf√©s e em campus universit√°rios.”.

    De acordo com Dr Charles Warren do Programa de Controle Global de Tabaco da OMS:

    ” Dadas as altas taxas do uso de tabaco sem ser por cigarro entre os jovens, especialmente meninas, as estimativas anteriores de 10 milh√µes de mortes por ano em 2020 pode ser muito conservadoras.”.

    Dr Chaouachi, o quão sério você leva esses avisos sobre o uso de tabaco e arguilés?

    KC: Sobre assuntos relacionados ao tabaco, a OMS não é mais uma agência da ONU objetiva e independente atada a um estrito mandato ético. A OMS recentemente tem sido criticada por pesquisadores independentes por ter repetidamente publicado inadequadas recomendações especializadas (Oxman et al., Lancet, 2007). Deixando de lado a questão de seu recente emprego da política anti-tabaco, ela contrata exclusivamente especialistas anti-tabaco que, na maioria das vezes, estão afiliados a organizações sob o azo da Globalink, da UICC e Pfizer – patrocinados por organizações anti-tabaco.

    Sem grande surpresa, essa situação também é refletida na diversidade geográfica, linguístico e ideológico do Grupo de Estudo de Regulação dos Produtos do Tabaco (TobReg) da OMS.  Até recentemente, a maioria dos seus membros (6 de 11) pertenciam ao grupo antitabagista dos Estados Unidos da América. Os poucos membros não norte-americanos possuem a mesma simpatia ideológica (antitabagista) de seus colegas americanos ou seguem essa linha abertamente. O libanês é afiliado à Universidade Norte Americana de Beirute. Os assentos sul-africano, holandês e brasileiro são, na verdade, muito recentes, e somente foram criados como resultado direto de minhas críticas (sobre a falta de diversidade). Dois especialistas independentes de lá (da Índia e do Reino Unido), servem como um tipo de álibi. Contudo, no final, as decisões são tomadas por maioria absoluta.

    O que o mundo precisa atualmente é um conselho científico democrático e independente (tanto da indústria farmacêutica e tabagista) que seja representativo de todas as tendências na pesquisa sobre o tabaco.

    CS: E essas são as pessoas que ditam a política de controle de tabaco da OMS?

    KC: Esses s√£o os indiv√≠duos que trazem ‚Äúevid√™ncias cient√≠ficas‚Äù em decis√µes que afetam diariamente a vidade de centenas de milh√µes de pessoas no mundo. Esses membros da TobReg podem ser encontrados entre os palestrantes de Confer√™ncias Mundiais sobre Tabaco e Sa√∫de, que s√£o realizadas a cada 3 anos. A √∫ltima foi realizada em Bombay em mar√ßo de 2009.¬† L√°, Gregory Connolly, da Harvard School of Public Health, um membro da Globalink e, logicamente, um colega √≠ntimo dessas pessoas, alertou que ‚Äúqualificar o tabaco sem combust√£o (tabacos que n√£o s√£o acessos diretamente) como um agente de menor potencial ofensivo pode (…) tirar a ind√∫stria farmac√™utica do mercado de interrup√ß√£o do h√°bito de fumar e enviar a mensagem errada a centenas de milh√µes de usu√°rios de tabaco sem combust√£o em pa√≠ses em desenvolvimento‚Äù (Connolly, 2009).

    No campo do tabaco, a OMS não faz mais ciência, mas mera propaganda. Por exemplo, pode-se ler em seu site frases como: “Pesquisas rigorosas não deixam dúvida”. Obviamente, a função dessa narrative é fazer com que o leitor não questione a “ciência” oferecida para ele/ela numa linha dourada dada por especialistas oficiais. Como Connolly, a OMS afirma em um de seus relatórios que todas as formas de tabaco são igualmente perigosas, “mortais” para ser mais preciso. Isso não faz sentido. Um rapé úmido, como o Swedish Snus (marca de rapé), é, na visão de proeminentes especialistas internacionais, altamente recomendável por conter pouquíssimas substâncias cancerígenas. Numa ampla perspectiva da redução do prejuízo, seu uso deve ser encorajado, particularmente na Asia e na África. Isso é o que fizemos em nosso estudo sobre arguilé e o câncer.

    CS: Então o quão perigosos são os arguilés para os usuários?

    KC: Eu tenho causado estranheza nos especialistas da OMS pois eles publicaram dois (sim, dois) relatórios sobre arguilé que contém sérios erros científicos. O mais famoso foi preparado por especialistas em “cachimbo de água” do Centro Sírio de Estudos do Tabaco, fundado pelos Estados Unidos, no qual sua logo é um arguilé e seus estudos quase sempre focam no “cachimbo de água”. O relatório da OMS foi preparado também pela Universidade Americana de Beirute, com estímulos diretos (“várias camadas de revisões científicas”) de especialistas da TobReg.

    Todos esses especialistas demonstraram ao mundo o quanto ignoravam o fato de que a mistura de fumo usada num arguilé moderno (como os usados na Europa e Estados Unidos) não é queimada, mas aquecida por uma grande extensão. Esse “detalhe” tem enormes consequências químicas porque, no final, a fumaça é muito menos complexa do que a gerada por um cigarro. De fato, eu tenho enfatizado que apenas centenas de compostos contra milhares foram encontradas em ambos os casos.

    O relatório da OMS (“Nota Consultiva” como chamaram) está maculado diversos erros do mesmo tamanho, cotações de estudos equivocados e tendenciosos, depois de terem sido extremamente cuidadosos. Eles não apenas puseram minhas últimas publicações (dentre elas, uma tese transdisciplinar de doutorado sobre o assunto, com 420 páginas e 850 notas de rodapé) e colocaram em sua lista negra, mas também estudos sobre arguilé feito por prestigiados especialistas internacionais sobre tabaco e câncer das últimas décadas (Hoffmann, Wynder, e muitos outros).

    Além disso, por 2 anos, o chefe do Centro Sírio Norte-americano não declarou a sua co-autoria no relatório. Não tenho nada contra financiamentos pelas instituições americanas. Entretanto, tenho visto como a equipe encarregada pela seleção de projetos em relação ao tabaco nos “países em desenvolvimento” e canalização dos fundos relacionados sempre tem objetivos proibitórios**.

    CS: O quão equivocado era o relatório da OMS e qual o efeito que isso tem?

    KC: Você pode imaginar um relatório da OMS onde as duas primeiras frases contém uma citação equivocada e um erro enorme? Ainda assim, eu adverti o Dr Lee, ex diretor geral da OMS, que a situação iria piorar se eles não permitissem uma mudança democrática de perspectivas nesse assunto polêmico (Cartas 15 de Dezembro de 2005 e 31 de Março de 2006).

    De fato, eu não quis publicar minha crítica ao relatório da OMS, que foi a minha primeira publicação substancial sobre o assunto. As datas e o conteúdo de minhas cartas para o Dr. Lee mostram que eu fui compelido a fazer isso. Notavelmente. Eu conclui com essas palavras:

    “Finalmente, se nenhuma a√ß√£o for tomada rapidamente, tenho medo de que esse err√¥neo relat√≥rio amplamente advertido ter√° enormes efeitos negativos. De um lado, tirar√° a reputa√ß√£o do trabalho de uma ag√™ncia das Na√ß√µes Unidas. De outro, far√° do uso do arguil√© algo muito mais atrativo.‚Äù

    Infelizmente, foi isso o que aconteceu. Eu às vezes recebo ligações de oficiais de saúde pública de todo o mundo que estão assustados com o crescimento do uso do arguilé em seu país. Alguns deles agora me perguntam: qual solução você dá? Respondo que a censura não funciona e que eles estão colhendo as frutas podres que os “especialistas em cachimbo de água” plantaram por 8 anos. Usuários de arguilés, e particularmente adolescentes, têm visto como esses especialistas fizeram grandes erros e muitos deles sentem que eles foram enganados. A promoção do medo provou, mais uma vez, ser contra-produtivo.

    Um sistema inteiro é responsável por essa situação: OMS, Globalink, jornais como Tobacco Control, Nicotine and Tobacco Research, Addiction, The Cochrane Review, e muitos outros com conexão direta ou indireta com essas pessoas.

    Voc√™ come√ßou a entrevista citando Charles Warren. Para a sua informa√ß√£o, ele foi co-autor num artigo publicado na International Journal of Public Health (“As if cigarettes were not enough, here comes narghile“), um jornal de revis√£o cient√≠fica. Seu artigo d√° uma bela imagem de uma publica√ß√£o pr√©via no mesmo jornal no qual, dentre in√∫meros e s√©rios erros, os autores (Yunis e al.) trocam os nomes dos produtos e, o mais pitoresco, consideram a Tun√≠sia um pa√≠s do Oriente M√©dio.

    Numa visão do que eu disse, I só posso responder a sua pergunta “O quão perigoso é o arguilé para o seu usuário?” com: o que os especialistas em arguilé têm realmente demonstrado é que eles mesmos são o problema, muito mais que o próprio arguilé. Como um dispositivo no qual o tabaco é somente aquecido pode ser equivalente a 400 ou 200 cigarros como esses bem conceituados cientistas tem alegado? Está na hora de responsabilizar alguém dessa área.
    CS: E sobre a quest√£o do fumo passivo? H√° uma cren√ßa crescente de que todas as formas de tabaco s√£o igualmente perigosas e as proibi√ß√µes ao fumo de lugares como a Fran√ßa e a Gr√£-Bretanha s√£o baseadas – em parte – na famosa afirma√ß√£o de Surgeon General Carmona que “n√£o h√° n√≠vel seguro de fumo passivo“.


    As proibições, é claro, foram desastrosas para os bares de narguilé, mais ainda do que para os pubs. Você acha que essas proibições sejam cientificamente justificadas?

    KC: Durante muito tempo, eu não prestei atenção ao Fumo Ambiental do Tabaco, porque eu era muito ingênuo ou muito ocupado, ou ambos. No Reino Unido, a proibição de fumar narguilé foi cientificamente apregoada pelos médicos, que publicaram uma tribuna no British Medical Journal (Gatrad et al., 2007).

    Mais uma vez,¬†eu¬†tinha dificuldade em perceber¬†porque¬†o fizeram.¬†A primeira¬†centrou-se¬†em¬†”provas”¬†sobre¬†os efeitos na sa√∫de¬†e¬†encontrei¬†v√°rios¬†erros¬†graves¬†em sua revis√£o.¬†Ent√£o,¬†no meu¬†recente apelo¬†para levantar¬†a proibi√ß√£o¬†do Reino Unido, eu mostrei¬†que eles¬†literalmente¬†inventaram¬†os perigos¬†do¬†”tabagismo¬†passivo”¬†do narguil√©,¬†juntamente¬†com¬†especialistas da OMS¬†que diz¬†que¬†”fuma√ßa¬†de segunda m√£o¬†de narguil√©s¬†[…]¬†constitui¬†um¬†s√©rio¬†risco¬†para n√£o-fumantes.¬†”

    A American Lung Association e o INPES franc√™s (Institut National pour la Preventionet l’Education de la Sant√©)¬†recorreu¬†√†¬†falsifica√ß√£o¬†(foto-montagens)¬†posters¬†e imagens¬†mostrando¬†nargil√©s¬†emitindo¬†fuma√ßa¬†passiva¬†[veja √† direita¬†e¬†abaixo].¬†Claro, eles¬†n√£o.

    Imaginem que amanhã a American Lung  Association publica na mídia um cartaz mostrando uma fumaça decorrente de um misterioso buraco no meio de uma haste de cigarros e que levanta temores sobre Quarta Hand Smoke. Como você reagiria? Isto é o que eles realmente fizeram com narguilé.

    CS: Então, do que é feito o fumo de narguilé?

     

    KC: Em primeiro lugar, a maioria dos ETS de narguilé são feitos de fumo exalado Mainstream (ou seja, a fumaça que sai da boca do fumante). Em segundo lugar, é muito menos complexa do que a fumaça do cigarro porque o tabaco é uma mistura à base de melaço apenas aquecida (a temperatura no interior do rosh do narguilé não vai acima dos 200ºC), enquanto na ponta de um cigarro, o tabaco é queimado a 900ºC. Isto tem tremendas consequências químicas, como eu disse antes. Além disso, a fumaça é composta principalmente de água e glicerol (80-90%) que são biologicamente inativos. Esses fatos sempre foram encobertos por pesquisadores anti-tabagismo.

    Quanto a ETS de cigarros se, recentemente destacou em uma chamada para levantar a proibição de fumar no Reino Unido que:

    “Parece que as fontes epidemiol√≥gico em que algumas leis europeias correspondentes basearam-se, ou foram manipulados ou n√£o-cient√≠ficas. Enstrom e Kabat realizaram um estudo cujas conclus√µes n√£o parecem apoiar qualquer lei similar nos EUA ou em qualquer outro lugar do mundo. Nessas condi√ß√µes, √© surpreendente ouvir do ETS (Environmental Tobacco Smoke) que os perigos causados por um dispositivo conhecido por N√ÉO produzir fumo secund√°rio, ao contr√°rio de cigarros “.

    Felizmente, eu publiquei recentemente uma ampla revisão crítica do que boa ciência diz sobre o narguilé e cigarro Fumo Ambiental do Tabaco (ETS). Não foi fácil para publicá-lo. “Pressões” externas, por assim dizer, (provavelmente por um colega revisor) tentaram impedir a publicação do meu artigo de avisar os editores (que são cientistas independentes, insisto) que:

    “Seria muito prejudicial para a comunidade cient√≠fica dar uma maior audi√™ncia para Chaouachi, aceitando seu manuscrito para publica√ß√£o no Int J Environ Res Public Heath: tais publica√ß√µes, s√£o de fato freq√ºentemente utilizadas pela ind√∫stria do tabaco para entreter a controv√©rsia sobre os efeitos na sa√∫de¬†das diversas formas do uso do tabaco. ”

    CS: Parece que o processo de revisão não é o que era.

    KC:¬†Todo o sistema¬†de¬†revis√£o¬†√©¬†pervertido,¬†muito mais¬†no¬†campo¬†de¬†pesquisa¬†do tabaco¬†do que em¬†outros¬†por causa da¬†enorme base mundial de interesses comerciais (principalmente, nestes dias, desde¬†as ind√∫strias¬†farmac√™uticas).¬†Em¬†poucas palavras, porque¬†muitas coisas¬†foram escritas¬†sobre este¬†assunto,¬†na maioria das vezes,¬†os chamados¬†”revisores”¬†n√£o¬†desempenham o seu papel de avaliar um¬†manuscrito¬†de seu m√©rito¬†cient√≠fico, mas¬†sim¬†mera¬†tomar a¬†decis√£o de¬†bash¬†s√≥¬†porque¬†o seu(s)¬†autor(es), t√≠tulo, resumo¬†e¬†conclus√µes¬†n√£o se¬†conformam¬†com o “seu¬†padr√£o”,¬†ou seja,¬†sua ideologia¬†proibicionista.

    N√£o √© preciso¬†dizer¬†que o¬†mercado¬†de¬†pesquisa¬†do tabaco¬†√© dominado por¬†tr√™s principais revistas¬†(Tobacco Control, Nicotine and Tobacco Research, Addiction), que absolutamente¬†n√£o merece¬†a¬†”aura” ou¬†”prest√≠gio” de que gozam¬†(entre pesquisadores anti-fumo¬†apenas).

    Eles têm publicado artigos (pelo menos eu posso dizer isso na minha área de especialização, o narguilé), com  grandes erros graves. O falho relatório da OMS (que foi baseado em alguns deles) é apenas a ponta do iceberg dessa tendência underground destrutiva.

    Curiosamente,¬†um artigo¬†recente¬†publicado¬†no¬†Journal of¬†Biology¬†(Virginia¬†Walbot: Estamos formando pit bulls para rever nossos manuscritos?”)¬†parece ser muito relevante.¬†Ela¬†mostra que¬†tem¬†havido uma¬†evolu√ß√£o¬†qualitativa¬†neste¬†dom√≠nio:¬†a partir de¬†c√£es de guarda¬†para¬†pitbulls…
    CS: Apesar de ser um pesquisador l√≠der do tabaco, que come√ßou a cair com o movimento anti-tabagismo quando foram expulsos de Globalink em tr√™s ocasi√µes. Eu acredito que voc√™ foi duas vezes “reabilitado“.

    Para o benefício daqueles que não estão familiarizados com ele, você pode nos dizer o que Globalink é e o que você disse para irritar algumas pessoas lá?

    KC:¬†Globalink¬†√© uma¬†rede¬†de¬†cerca de¬†6.000¬†especialistas¬†antifumo¬†/¬†organiza√ß√µes¬†em todo¬†o¬†mundo, principalmente¬†formado por¬†listas de discuss√£o discriminadas segundo idioma,¬†pa√≠ses, regi√µes¬†do¬†mundo,¬†sub-regi√µes,¬†os t√≥picos¬†(em geral,¬†ETS,¬†de redu√ß√£o de danos,¬†etc).¬†Quando o oficial de¬†sa√∫de p√∫blica¬†em,¬†digamos que¬†a Ucr√¢nia¬†ou a Kuala-Lumpur, pretende¬†implementar¬†uma¬†proibi√ß√£o de¬†fumar,¬†ele¬†envia uma mensagem¬†no¬†Globalink¬†para¬†pedir ajuda¬†para fornecer a¬†”base¬†cient√≠fica”¬†(do¬†seu jarg√£o) para¬†seu¬†/¬†sua¬†Minist√©rio¬†da¬†De Sa√∫de. Ele¬†geralmente¬†recebe¬†respostas r√°pidas¬†e documentados¬†(por exemplo,¬†dos EUA ou¬†cong√©neres europeias)¬†sobre como proceder.

    Eu fui expulso três vezes, principalmente porque eu, ingenuamente, critiquei abertamente a má ciência em que a proibição do fumo nos EUA, Reino Unido e Tailândia foi baseada.

    Quando¬†foi tomada uma decis√£o¬†de expulsar¬†ou¬†reabilitar um¬†”dissidente”¬†l√°,¬†nenhuma raz√£o √©¬†dada.¬†Este √© um¬†processo¬†completamente¬†irracional¬†e¬†as pessoas¬†que simplesmente t√™m medo¬†de expressar¬†qualquer¬†discord√¢ncia.¬†Ent√£o, voc√™ nunca¬†sabe e¬†eles¬†mesmos n√£o¬†sabem.
    CS: Dr. Michael Siegel também foi removido do grupo, da mesma maneira.

    KC: Eu nunca tinha ouvido falar do Dr. Siegel até que eu finalmente sai desta organização de pessoas intolerantes. Eu tropecei um dia em seu blog e percebi que ele também tinha sido expulso para o mesmo tipo de não-razão.

    Da mesma forma, eu¬†nunca¬†tinha prestado aten√ß√£o¬†√†s organiza√ß√µes de¬†defesa¬†das v√≠timas¬†da¬†propaganda¬†anti-tabagismo.¬†Pouco a¬†pouco,¬†descobri¬†o Forces,¬†ouvi¬†o que os pesquisadores¬†anti-tabaco¬†fizeram¬†com¬†Enstrom¬†e¬†Kabat¬†e¬†assim por diante.¬†O fato √© que¬†eu me concentrei¬†em¬†outras¬†coisas¬†e¬†eu n√£o sabia¬†que o¬† tabagismo passivo¬†era t√£o¬†”importante”.¬†Como eu¬†lhe disse, eu estava¬†t√£o¬†isolado¬† – e¬†ainda¬†estou¬†em¬†minha pesquisa¬†e¬†eu me mantive¬†ocupado¬†tentando em¬†v√£o¬†esclarecer¬†as coisas e esclarecera confus√£o¬†em¬†um¬†confronto¬†assim√©trico.¬†Mais tarde eu¬†entendi (talvez eu esteja errado)¬†que o Dr.¬†Siegel¬†foi expulso¬†do¬†Globalink¬†por sua posi√ß√£o¬†sobre esta quest√£o¬†(ETS).
    CS: O Dr. Siegel disse várias vezes que ele acredita que o atual movimento de controle do tabaco tornou-se intolerante a qualquer opinião que não se encaixa nos objetivos rígidos de um movimento que se tornou amplamente  proibicionista. Isso é justo?

    KC:¬†Como ele,¬†eu¬†usei¬†a frase¬†”controle do tabaco”¬†e¬†at√©¬†ingenuamente¬†a usou para descrever¬†a minha atividade¬†como pesquisador.¬†S√≥ mais tarde¬†percebi¬†como¬†esta frase¬†fere¬†as v√≠timas¬†do¬†higienistas.

    √â claro que¬†eu n√£o¬†uso¬†a frase¬†”Controle do Tabaco” com o significado¬†de¬†”Tabaco Kontrol”¬†(“Os fumantes de controle e seus fornecedores” de acordo¬†com¬†as cr√≠ticas convincentes¬†de Pierre¬†Lemieux¬†’).¬†Em vez disso,¬†eu¬†uso¬†como um¬†ponto¬†de vista diametralmente: que¬†o significado¬†amplo¬†tradicional de¬†”controle de drogas.”¬†Na minha pr√°tica¬†di√°ria, esta¬†no√ß√£o¬†n√£o-proibicionista, o¬†controle sobre a qualidade dos produtos (cigarros, charutos, etc) que¬†tamb√©m implica uma descriminaliza√ß√£o sistem√°tica de solu√ß√µes de redu√ß√£o de danos (Eclipse¬†cigarro,¬†sueco¬†¬´snus¬ª,¬†n.¬†Mon√≥xido de Carbono do cachimbo de √°gua,¬†etc¬†.) e,¬†n√£o menos importante,¬†uma rejei√ß√£o da ci√™ncia da sucata crescente com rela√ß√£o a credibilidade manchada da ci√™ncia e da sa√∫de p√∫blica.

    No entanto,¬†a¬†posi√ß√£o¬†do¬†Dr.¬†Siegel, com¬†quem¬†nunca tive qualquer contato¬†especial direto, √© um pouco diferente.¬†Eu¬†tenho¬†notado que¬†ele¬†enfatiza¬†o¬†significado¬†original de¬†”controle¬†do tabaco”¬†e¬†relevante¬†levanta a¬†quest√£o da responsabiliza√ß√£o. Ele¬†ainda acredita¬†que o¬†que¬†ele chama¬†de “movimento de¬†controle¬†do tabaco”¬†pode ser corrigida.¬†Mas a¬†menos que¬†os grupos¬†que¬†t√™m¬†o¬†poder¬†sobre¬†as¬†multid√µes¬†s√£o for√ßadas a¬†abandonar¬†as suas posi√ß√µes,¬†eu vejo isso como imposs√≠vel. Um¬†sistema totalit√°rio¬†foi¬†posto em pr√°tica¬†e, se¬†se¬†espera¬†um colapso,¬†n√£o pod√≠amos¬†continuar usando¬†a frase “controle do tabaco” como¬†se nada tivesse acontecido.
    CS: Como você descreveria a mentalidade predominante de Globalink e as pessoas, como Simon Chapman, que controlam-na?

    KC: Simon Chapman foi durante s√©culos o editor-chefe da revista Tobacco Control, e, simultaneamente, respons√°vel pela pol√≠tica de (um eufemismo para “Big Boss”) da Globalink.¬†Isso mostra que n√£o h√° independ√™ncia entre si.¬†Chapman deve reconhecer esse conflito n√£o declarado “privado” de interesse: que ele √© o punho de ferro em luva de veludo da ‚Äúrespit√°vel‚Äù Globalink e sua ‚Äúrevis√£o bem feita”, produzida por sua pr√≥pria revista.¬†Isso tamb√©m √© v√°lido para as revistas que trabalham para o mesmo objetivo: Nicotine and Tobacco Research (David Balfour) or Addiction (Robert West).¬†A maioria do pessoal deste √∫ltimo, e de muitas outras estruturas poderosas (OMS TobReg, TFI, etc), s√£o membros da Globalink.¬†Isto tem uma grande import√¢ncia porque a pol√≠tica mundial de tabaco, que afeta centenas de milh√µes de pessoas, √©, como eu disse, elaborado pela OMS TobReg mas tamb√©m discutidas dentro Globalink.

    Cheguei à conclusão de um trabalho recente com a seguinte declaração:

    “√â [tempo] para todos os cientistas independentes em todos os campos de pesquisa de cigarro e narguil√© (qu√≠mica do fumo, ETS, o v√≠cio, os produtos fum√≠genos, redu√ß√£o de danos, etc) para refletir sobre a viabilidade da cria√ß√£o de uma rede paralela internacional, semelhante em sua estrutura para Globalink. Isso deve trazer de volta o equil√≠brio necess√°rio e evitar desvios tr√°gico na ci√™ncia, √©tica e pol√≠tica.”
    CS:¬†Dois¬†artigos¬†recentes¬†acusaram¬†os cientistas¬†que criticam¬†os estudos¬†mais estranhos¬†para ter¬†sa√≠do¬†sobre o¬†fumo¬†passivo¬†de ser “dissidentes” e “negam”.¬† Alguns desses¬†”dissidentes”¬†viram v√≠timas de¬†ataques¬†ad hominem (latim: contra a pessoa) e¬†ofensas pessoais. Voc√™ j√°¬†experimentou¬†algum¬†desse?

    KC:¬†Ao responder¬†√†s¬†acusa√ß√µes,¬†um¬†dos argumentos cl√°ssicos de pesquisadores anti-tabagismo¬†√©¬†acusar¬†os defensores¬†de¬†pontos de vista heterodoxos de¬†explora√ß√£o “conflitos¬†de interesses”¬†com¬†a ind√∫stria do tabaco.¬†O¬†outro argumento¬†√©¬†a repeti√ß√£o de modo que¬†”quase¬†sempre, o¬†lado que¬†responde aos desafios¬†est√° dizendo¬†a verdade, enquanto o¬†lado¬†que assim¬†repete-se¬†e¬†palestras¬†em torno do¬†argumento¬†n√£o √©.”¬†(Carl¬†Phillips, redu√ß√£o dos danos¬†do tabaco).

    Quanto √†¬†recente publica√ß√£o¬†de “nega√ß√£o”¬†voc√™ se refere,¬†a n√£o reconhecer¬†o “esmagador consenso¬†sobre¬†as provas”¬†sobre os riscos enormes de ETS em¬†n√£o-fumantes¬†agora¬†qualifica¬†de¬†”nega√ß√£o”¬†(Diethem¬†e¬†McKee,¬†European Journal¬†of PublicHealth, 2009).¬†Paradoxalmente,¬†o¬†autor-chefe¬†do¬†√∫ltimo trabalho,¬†que¬†tamb√©m¬†sublinha a¬†necessidade de¬†”testar¬†os¬†pontos fortes e fracos¬†dos¬†diferentes pontos de vista”,¬†n√£o sabia¬†que¬†ele mesmo¬†publicou um¬†documento sobre¬†ETS¬†cachimbo de √°gua¬†em que ele tomou¬†um estudo sobre o tabagismo¬†ativo¬†para¬†um¬†sobre¬†fumo ¬†passivo! Ele tamb√©m¬†chegou¬†a¬†declarar, entre¬†outros¬†in√∫meros erros,¬†que o¬†ETS¬†narguil√©¬†√© ainda mais¬†perigoso¬†do que¬†ETS¬†cigarro¬†(Diethelm, ‘Narguile, attention danger’, 2007)

    CS: O que você acha das prioridades para o movimento anti-tabagismo deve ser em 2009? Pode restabelecer a sua credibilidade científica, e de que forma?

    KC:¬†Eu¬†n√£o¬†ligo¬†para as prioridades¬†”anti-tabagismo”.¬†Eu¬†sei¬†que¬†o tabaco¬†n√£o¬†√© um produto¬†inocente,¬†que¬†√©¬†perigoso¬†e pode¬†se tornar¬†muito¬†perigoso¬†tamb√©m,¬†ent√£o eu¬†estou¬†interessado¬†apenas¬†em¬†perigo¬†real,¬†as doen√ßas¬†e os fatos.¬†Basta dar uma olhada¬†na¬†agenda¬†da¬†CQCT¬†(Conven√ß√£o-Quadro para¬†o Controle do Tabaco). A maioria das¬†”prioridades”, medidas¬†cada vez mais proibitivo (proibi√ß√£o de fumar em casas,¬†ruas, carros, etc)¬†que,¬†se¬†n√£o¬†afirmou claramente, a fim¬†de¬†assustar¬†as pessoas,¬†ser√°¬†sempre¬†”de acordo”¬†com¬†a Conven√ß√£o¬†ratificada¬†por¬†dos¬†Estados¬†do mundo.

    Em suma,¬†eu¬†era¬†devagar¬†para¬†entender¬†um outro cartaz anunciado pela OMS [“dentro¬†de espa√ßos sem fumo”,¬†ver¬†acima]. No¬†in√≠cio,¬†eu¬†n√£o¬†reagi¬†porque¬†acreditavam que ele representava¬†uma¬†bolha¬†(de oxig√™nio,¬†√© claro).¬†Ent√£o,¬†um dia, percebi¬†que¬†ele mostra claramente¬†a Terra¬†com¬†um √∫nico ponto¬†n√£o¬†deixou¬†sobre ele¬†para¬†de fumar.¬†Eu me perguntava:¬†√â isso¬†que eles¬†s√£o, eventualmente,¬†apontando para¬†uma¬†pris√£o¬†global?

    08 de abril de 2009.

     

  • Conforme prometido, segue os links para download no final deste post.

    Que tal semana que vem mais uma mat√©ria menos “pesada” mas ainda falando de Sa√∫de?¬†Adianto-lhes uma coisa: √© um documento BOMB√ÅSTICO!

    Fiquem com a segunda e ultima parte desta:

     

    Aquecer e queimar

    O Relatório da OMS relata (página 2) que “o tabaco que é posto no fornilho é muito úmido (e também adocicado e flavorizado): não queima de maneira auto-sustentável”. Essa frase é muito confusa. Primeiro, deveria falar sobre os diversos preparados e misturas de fumo. Apenas um tipo de tabaco, tumbâk (que é o tabaco cru), é “muito” úmido porque, antes de ser posto no fornilho, ele é deixado de molho na água e então espremido para remover grande parte da água. O outro tipo, referido com “adocicado e flavorizado”, é processado de forma diversa. Ele contém glicerina. Além disso, no caso do “tabaco cm sabor”, é defitinivamente errado dizer que a mistura é queimada. Ela é simplesmente aquecida e esse é o ponto crucial [13]. A evidência disso é dada pelas reais temperaturas atuantes que podem ser medidas durante o processo. Elas são abaixo ou por volta de 100°C, uma cifra bem diferente daquelas que podem ser medidas na ponta de um cigarro (850-900°C). Nessas condições, a variação de calor permite reações químicas do tipo Maillard entre as funções dos aldeídos dos açúcares – especialmente nos elementos do melaço – e compostos de nitrogênio, particularmente amônia (NH4OH) usado por produtores de tabaco para produzir vários compostos aromáticos [3,14].Ademais, até onde o alcatrão é preocupante, todos os especialistas sabem que o que faz deste perigoso e cancerígeno não é a sua quantidade, mas a sua qualidade. De um lado, essas qualidades dependem da grande extensão da temperatura da qual o alcatrão é produzido. De outro, saber a quantidade grosseira de alcatrão é inútil, por conta que seus componentes nocivos, como por exemplo, nitrosaminas, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, representam uma mesma variável e, em qualquer caso, pequena porcentagem do peso total, o qual, portanto, não são um expoente de valor de sua nocividade. Isso é verdade para a fumaça do cigarro, então a produção de alcatrão medida pela máquina de fumar não deveria ser impresso nas embalagens de cigarro, pois dá ao fumante uma informação falaciosa sobre o perigo real. Isso é mais verídico ainda para o fumo de arguilé, que é muito mais variável. Mais uma vez, podemos perceber que fumar arguilé é muito específico a esse respeito. Nessas condições, mesmo a fumaça inalada pelo fumante passivo (página 4 e 5 do relatório da OMS)  é completamente diferente daquela produzida pelos cigarros [15].

    Crianças

    Somos informados (p√°gina 4) que “no Sudoeste da √Åsia e Norte da √Åfrica, n√£o √© incomum para as crian√ßas fumarem com seus pais”, citando o autor de uma chamada “expedi√ß√£o” de papel onde se pode ler que: “¬†√â socialmente aceit√°vel para um pai oferecer aos seus filhos adolescentes narguil√©, de uma forma semelhante a um franc√™s que oferece aos seus filhos e filhas experimentarem um vinho”[16].Apesar do fato de que esta observa√ß√£o √© muito pessoal e aned√≥tico, isso n√£o significa, absolutamente, que as crian√ßas “fumam com seus pais”, que √© uma afirma√ß√£o totalmente suportado em contradi√ß√£o com todos os dados dispon√≠veis antropol√≥gicos que descrevem um pouco o in√≠cio do narguil√© como uma esp√©cie de “rito de passagem”[3,17].

    Mais recente, as estat√≠sticas epidemiol√≥gicas na S√≠ria, um pa√≠s √°rabe, s√£o bastante claros a esse respeito [18]: “A idade da inicia√ß√£o diferiram de acordo com m√©todo de fumar e sexo. Em m√©dia, os homens iniciaram o uso de cigarros com a idade de 17,9 (5,3) anos e narguil√© aos 25,5 (9,1) anos, enquanto as mulheres iniciaram o uso de cigarros em 22,5 (8,4) anos e narguil√© aos 28,9 (9,9) anos (p, 0,05 para todas as compara√ß√µes de g√™nero e tabagismo m√©todo pelo teste t “).

    Mulheres

    Na mesma linha, podemos ler (p√°gina 4) que “em alguns pa√≠ses em que o fumo de cigarro est√° concentrado entre os homens, fumando narguil√© parece mais uniformemente distribu√≠da entre ambos os sexos”.¬†Isso pode ser verdade em alguns pa√≠ses, mas errado em outras.¬†Por exemplo, na Tun√≠sia e na L√≠bia, o tabagismo ainda √© um dom√≠nio masculino, mas “narguil√©” tamb√©m.¬†Nessas condi√ß√µes, a generaliza√ß√£o deve ser evitada porque n√£o h√° nenhuma “regra” neste dom√≠nio e que esta quest√£o precisa ainda comparativista pesquisa antropol√≥gica, que j√° come√ßou h√° uma d√©cada [15,19] (ver Figura 3).

    Figura 3. Mulher Palestina Traditional e Narguilé.

    Novo carv√£o

    O relatório da OMS constata (página 5, 5ª conclusão) que “fontes de calor comumente utilizadas para queimar o tabaco, como cilindros de madeira ou carvão, são propensos a aumentar os riscos à saúde porque quando tais combustíveis são queimados, produzem suas próprias toxinas, incluindo altos níveis de monóxido de carbono, metais pesados e elementos químicos cancerígenos”. Esses perigos listados associados com o uso do novo carvão de acendimento rápido são erroneamente atribuídos à duas referências citadas [7,8]. Até onde se sabe sobre o monóxido de carbono, os estudos acima mencionados se baseiam somente nesse novo carvão e nenhuma comparação com o carvão natural ou com os antigos carvões foi realizada. Há somente um estudo no mundo que demonstra que um carvão de acendimento rápido produz maiores níveis de monóxido de carbono do que o carvão natural [20].

     

    Sobre metais pesados, o novo carvão de acendimento rápido pode ser uma fonte, assim como o próprio tabaco, o alumínio e até a cobertura metálica (particularmente do fornilho). Portanto, como não há estudo para saber sobre a composição e efeitos na saúde dessa nova fonte de calor, pesquisadores estão altamente encorajados a clarificar essa questão [3,5,6,13,21].

    Em qualquer caso, se somente pegarmos dois números impressionantes, aqueles da assustador produção de fumaça e do monóxido de carbono, 6870 mg e 143 mg respectivamente [7,8], eles não refletem a realidade da fumaça do arguilé. Por exemplo, os resultados para os níveis principais não estão de acordo com um estudo prévio de Salem concluindo que o conteúdo desse metal era significantemente mais alta no cigarro do que no arguilé. [22]. Outro dado de estudos não publicados demonstra que o arsênico sequer foi detectado. Isso porque a máquina de fumar arguilé que foi usada [7,8] foi ajustada para soprar parâmetros comuns supostamente para refletir números variáveis, de fato, de uma forma dramática e durante um longuíssimo período de tempo (uma hora). Este é um modelo distorcido da real comportamento humano ao fumar arguilé [12].

    Redução de danos

    Neste campo (P√°gina 5, conclus√£o 8), n√£o haveria “nenhuma prova de que qualquer aparelho ou acess√≥rio pode fazer fumar narguil√© mais seguro”.¬†Por muitas raz√µes, n√£o h√° nenhuma prova.¬†Por exemplo, e contrariamente a uma ideia generalizada entre os ativistas de controle do tabaco, o narguil√© mercado ainda est√° nas m√£os dos “tradicionais” os segmentos da economia, em particular localizada no sul chamado.¬†Os produtores desses dispositivos n√£o possuem as instala√ß√µes de investiga√ß√£o de uma empresa internacional, como a RJ Reynolds, cujos cientistas publicam seus estudos em revistas internacionais biom√©dica.¬†Por exemplo, h√° uma certa quantidade de literatura sobre os cigarros Eclipse, baseado no princ√≠pio de fumar narguil√© porque cozinha o tabaco em vez de queim√°-lo.¬†Entretanto, as t√©cnicas de redu√ß√£o de danos j√° foram apresentadas pelos autores dos estudos de alta qualidade no dom√≠nio da investiga√ß√£o sobre fumar narguil√©.¬†Por exemplo, Shafagoj na Jord√¢nia sugere a “motivaram f√°bricas para produzir HB [gluglu, hookah ou seja] filtros a serem inseridos para o bocal. Al√©m disso, o pH, resinas ou outras modifica√ß√µes podem ser feitas no HB √°gua para melhorar suas propriedades de filtro¬†”.¬†[23].¬†Na Ar√°bia, Zahran in√≠cio mencionou a exist√™ncia de um dispositivo que, obviamente, reduz, para n√£o dizer inibe a produ√ß√£o de mon√≥xido de carbono: uma resist√™ncia el√©trica usada em vez do carv√£o [24].

    Infecções

    O relat√≥rio afirma (p√°gina 5, 9) conclus√£o de que “o compartilhamento de uma mangueira de arguile representa um s√©rio risco de transmiss√£o de doen√ßas infecciosas, incluindo tuberculose e hepatite”.¬†Esta afirma√ß√£o √© erroneamente atribu√≠do a pesquisadores [25] que n√£o s√£o os autores de estudos sobre tais riscos.¬†No caso da hepatite, estes estudos foram exercidas por Habib et al.¬†Medhat [26] e et al.¬†[27].¬†Quanto √† tuberculose, que eram exercidas, recentemente, por Munckhof et al.¬†[28] e muito tempo antes por Salem et al.¬†[29].¬†Al√©m disso, o risco n√£o √© t√£o “s√©rio”.¬†Se tivesse sido assim, o mundo teria testemunhado epidemias correspondentes ao longo dos √∫ltimos s√©culos.¬†Isso n√£o aconteceu.¬†Finalmente, observamos que o pl√°stico ass√©ptico bocais descart√°veis pessoais s√£o sempre servidos aos fregueses nos “hookah lounges” ou durante as elegantes “hookah parties”.¬†De um modo geral, os riscos n√£o est√£o claramente estabelecidos por causa de uma metodologia n√£o-rigorosa (utiliza√ß√£o simult√¢nea de outros produtos [ex qat, cigarros, bidis, etc], fortemente higiene negligenciada, o perfil atual e na carreira remoto e recente de fumantes n√£o especificada, etc¬†.) [13,21].

    Cen√°rio para a epidemia

    Lemos (n ¬∫ 10, p√°gina 5) que “o tabaco de narguil√© √© muitas vezes adocicado e adicionado sabor, tornando-o muito atraente, o cheiro doce e sabor da fuma√ßa pode explicar porque algumas pessoas, particularmente jovens que de outra forma n√£o seria o uso do tabaco, come√ßam a usar narguil√©”.¬†Esta cita√ß√£o refere-se a um estudo que realmente prop√¥s um “cen√°rio” errado para o desenvolvimento recente de uso de narguil√© na S√≠ria [30].¬†Segundo ele, a informa√ß√£o de canais √°rabes de televis√£o por sat√©lite seria grandemente respons√°vel pelo desenvolvimento da mania do narguil√©.¬†Este argumento n√£o √© consistente em todos os complexos e a resposta foi tratado em um documento-chave [3].¬†A principal raz√£o √© que os filmes antigos eg√≠pcios, que todos os telespectadores do mundo √°rabe lembro muito bem, j√° estavam fortemente com os fumantes de narguil√© muito antes da recente epidemia do arguile e o surgimento de canais de televis√£o por sat√©lite.¬†Al√©m disso, tamb√©m est√° em contradi√ß√£o com um documento citado como refer√™ncia-chave no relat√≥rio e reveladora: “filmes antigos eg√≠pcios apresentaram grupos de homens tomando ch√° de menta ou caf√© forte em caf√©s e fumando narguil√© por muitas horas” [16].¬†Infelizmente os pesquisadores, esse tipo de an√°lise r√°pida de uma situa√ß√£o complexa antropol√≥gica levou das equipes muito citados neste relat√≥rio a percorrer de forma semelhante [31].

    “V√≠cio em nicotina”

    Nós consideramos que não é necessário insistir muito nas dimensões médicas e biomédicas dado que as condições metodológicas são respeitadas para que se evite uma frequente  e grande propensão (3,5,6,13,21).

    Também esperamos que num futuro próximo o dogma do vício da nicotina seja deixado de lado quando abordados os aspectos da dependência. Por um lado, isso não condiz com o campo do uso do arguilé, e os resultados de um estudo mantido por um dos grandes colaboradores mencionados nesse relatório é bem claro: cerca de 3/4 dos entrevistados declararam que foi fácil de largar o uso do arguilé (32). Por outro lado, na medida que a dependência é uma preocupação, há um sério debate sobre o principal papel da nicotina na dependência (33,34). De fato, estamos convencidos que as descobertas futuras das crescentes pesquisas sobre arguilé irão reconsiderar a questão da dependência do tabaco em geral e a questão da dependência do cigarro em particular. As pessoas não usam o arguilé necessariamente por conta da nicotina, e outra evidência disso é que os “bares de arguilé” já oferecem misturas vegetais, sem tabaco, com gosto/cheiro de frutas, para se usar como fumo. A importância dos sabores (somente no caso do tobamel) faria dessa dependência algo bastante similar com aquela induzida pelo café. Não somente nicotina, mas inibidores MonoAmino Oxidase (MAOI), outros secundários dependentes-indutores alcalóides de baixa dosagem, ligandos dos receptores opióides, e outras substâncias, podem exercer certo papel no processo de dependência (34).

    Principais estudos

    Globalmente, talvez queiramos saber porque estudos controversos (7,8,9,35,36 ) são citados nesse relatório (OMS) enquanto outros novos e úteis estudos dirigidos por Hoffman (9), Rakower (10) e Salem (22,29) não são.  Esta é a parte mais pesarosa, pois estudos que seguem as premissas tradicionais e os experimentos correspondentes foram baseados no uso de carvão natural, n que a confiabilidade nas premissas tradicionais e ao no novo carvão de acendimento rápido que causa, entre outras coisas, uma superprodução de monóxido de carbono (20). De fato, o que é interessante para os fins da comparação científica, é que a diferença básica entre o uso tradicional (quatro séculos) social do arguilé e o uso contemporâneo é a natureza da fonte de calor.

    Referências bibliográficas:

    7. Shihadeh A Investigation of mainstream smoke aerosol of the argileh water pipe. Food and Chemical Toxicology 2003 , 41:143-152

    8. Shihadeh A, Saleh R Food and Chemical Toxicology : Polycyclic aromatic hydrocarbons, carbon monoxide, “tar”, and nicotine in the mainstream smoke aerosol of the narghile water pipe. Food and Chemical Toxicology 2005 , 43(5):655-661,

    9. Hoffman D, Rathkamp G, Wynder EL Comparison of the yields of several selected components in the smoke from different tobacco products. Journal of the National Cancer Institute 1963 , 31:627-635.

    10. Rakower J, Fatal B Study of Narghile Smoking in Relation to Cancer of the Lung. Br J Cancer 1962 , 16:1-6.

    20. Sajid KM, Akther M, Malik GQ Carbon monoxide fractions in cigarette and hookah.  J Pak Med Assoc 1993 , 43(9):179-182

    22. Salem ES, Mesrega SM, Shallouf MA, Nosir MI Determination of lead levels in cigarette and goza smoking components with a special reference to its blood values in human smokers. In The Egyptian journal of chest diseases and tuberculosis. Volume 37. Edited by: Radwan GN, Mohamed MK, El-Setouhy M. Israel E: Review on waterpipe smoking; 1990. J. Egypt. Soc. Parasitol 2003 (Dec), 33, Suppl 3 1051-1071.

    29.       Salem ES, Abdel-Hakim M, Hanafi A Goza versus cigarette smoking among patients with pulmonary disease. The Egyptian journal of chest diseases and tuberculosis 1973 , 16(2):121-140.

    35. Chaouachi K E-Letter to the Editor: Serious Errors in this Study. [http://tc.bmjjournals.com/cgi/eletters/13/4/327] webcite РTobacco Control  Р2004 (2 Dec)

    36. Chaouachi K Post-publication Peer Review : Errors in this New Review. [http://pediatrics.aappublications.org/cgi/eletters/116/1/e113] webcite – Pediatrics Р2005 (15 Aug).

    Prevenção

    Prevenção é a mais importante e urgente questão e nenhuma das ações sugeridas (página 7) é dada nesse relatório (OMS) enquanto a catástrofe na saúde pública é iminente e muitas ideias poderiam imediatamente serem postas em prática para evita-la e reduzir o dano causado por essa bem difundida nova forma de fumar.

    – Chaouachi K Le narguil√©: analyse socio-anthropologique. Culture, convivialit√©, histoire et tabacologie d’un mode d’usage populaire du tabac. In Transdisciplinary doctoral thesis, Universit√© Paris X (France). ANRT (Lille); 2000.

    РChaouachi K Presentazione del narghilè e del suo uso. Guida critica della letteratura scientifica sul narghilè (shisha, hookah, waterpipe). Dalle origini ai giorni nostri : necessità di un approccio interdisciplinare socio-antropologico, medico e farmacologico. [http://www.tabaccologia.org/archivio.htm] webcite РTabaccologia 2005 , 1:39-47.

    – Chaouachi K Narghile: aspetti chimici e farmacofisiologici. [http://www.tabaccologia.org/archivio.htm] webcite Tabaccologia 2005 , 3:27-33.

    – Chaouachi K Patologie associate all’uso del narghile. [Eng. Narghile-Related Diseases]. [http://www.tabaccologia.org/archivio.htm] webcite – Tabaccologia 2006 , 1:27-34.

    РChaouachi K Shisha, hookah. Le narguilé au XXIe siècle. Bref état des connaissances scientifiques. Le Courrier des Addictions 2004 , 6(4):150-152.

    РChaouachi K Narghilé: un problema di Sanità Pubblica. Tabaccologia 2006 , in press. http://www.tabaccologia.org/archivio.htm Рwebcite

    Estado da pesquisa

    O estudo diz (página 6) que “supreendemente há pouca pesquisa sobre o uso de tabaco em arguilé, dado especialmente que há milhões de fumantes de arguilé e que o seu uso se espalha pelo globo.”. É verdade que pouquíssima pesquisa foi feita sobre o assunto. Porém, realizar uma bibliografia exaustiva não foi uma tarefa sobre-humana, e o relatório da OMS deveria ter feito isso. Nós pessoalmente lamentamos que os autores nunca mencionaram as mais novas e robustas pesquisas antropológicas que existem nesse campo, que contém muitas ideias para o desenvolvimento de estratégias da prevenção e da cessação pretendidas. Esses documentos foram amplamente divulgados entre os anos de 2000-2005 na comunidade internacional dos pesquisadores de controle de tabaco e ativistas, particularmente através da rede Globalink. Resumos em inglês, traduções e comentários de suas descobertas foram disseminadas em larga escala.

    Drogas

    Pode-se¬†ler tamb√©m¬†que¬†n√£o haveria¬†necessidades de pesquisa¬†para¬†”a¬†rela√ß√£o¬†entre o narguil√© e o uso¬†de¬†outras drogas,¬†incluindo¬†maconha”¬†(p√°gina¬†6).¬†Vamos recordar¬†que¬†um¬†livro¬†p√°gina 262¬†cient√≠fica,¬†inteiramente¬†dedicada¬†a¬†este¬†tema,¬†foi publicado¬†j√° em 1997¬†[38].

    Conclus√£o

    Esperamos que esses comentários sejam úteis em futures estudos que, insistimos, devem ser claros e objetivos, se quisermos que sejam aceitos, haja vista que suas recomendações afetam profissionais da saúde, ativistas de prevenção, pesquisadores e os fumantes esporádicos ou regulares por todo o mundo. A Metodologia precisa de melhoramento substancial. O Grupo da Regulamentação dos Produtos de Tabaco da Organização Mundial da Saúde, responsável pela publicação desse mesmo estudo, concluiu numa reunião: “A máquina de teste de cigarro da Organização Mundial de Padronização, usada para determinar o nível de alcatrão, nicotina e monóxido de carbono nos cigarros, deve ser banida e substituída” (Zielinski S Smoking Machine Test Inadequate and Confusing, But No Replacement a Decade Later. Journal of the National Cancer Institute 97(1):10-1 – link: http://jnci.oxfordjournals.org/content/97/1/10.long). O que é verdade para uma sessão de cigarro de 5 minutos é muito mais condizente com a realidade do que uma sessão de arguilé, que é 10 vezes mais longa e a puxada varia de forma muito mais extrema do que uma situação arbitrariamente normal. Nessas condições, o uso de uma máquina para testar a fumaça do arguilé (Chaouachi K Narghile: aspetti chimici e farmacofisiologici. [http://www.tabaccologia.org/archivio.htm] website Tabaccologia 2005 , 3:27-33. [Eng.: Biochemical and Pharmacological Aspects of Narghile]; i.e. Shihadeh A Investigation of mainstream smoke aerosol of the argileh water pipe. Food and Chemical Toxicology 2003 , 41:143-152.) deve ser descontinuada pois tem gerado uma grande confusão, particularmente refletida no primeiro estudo “fumando arguilé” publicado pela OMS (World Health Organization (Tobacco Free Initiative): [http://www.who.int/tobacco/global_interaction/tobreg/en/] webcite Advisory Note. Waterpipe Tobacco Smoking: Health Effects, Research Needs and Recommended Actions by Regulators. 2005 Рretrieved 15 Dec. 2005). O 12° núcleo principal de outro importante estudo da TobReg é: “Apesar do mecanismo de financiamento adotado, devemos assegurar que a independência e a integridade das pesquisas e dos testes não estão comprometidos ou impropriamente influenciados” (WHO Study Group on Tobacco Product Regulation [http://www.who.int/tobacco/global_interaction/tobreg/en/index.html] webcite Guiding principles for the development of tobacco product research and testing capacity and proposed protocols for the initiation of tobacco product testingWorld Health Organization; 2004). O mesmo documento insiste que a produção das pesquisas e testes laboratoriais são “críveis e consistentes com os padrões internacionais mais rigososos” (p. 7, ibid.).

    Convidamos nossos colegas, particularmente aqueles que trabalham no campo epidemiológico, para melhorar os seus questionários e incluir um ou mais itens relacionadas com a antiga e atual carreira (ex-fumante [com qualificação, com detalhes de datas e produtos], fumante que está trocando o cigarro pelo arguilé, fumante exclusivo, etc.) dos voluntários analisados em seus estudos (Chaouachi K Presentazione del narghilè e del suo uso. Guida critica della letteratura scientifica sul narghilè (shisha, hookah, waterpipe). Dalle origini ai giorni nostri : necessità di un approccio interdisciplinare socio-antropologico, medico e farmacologico. [http://www.tabaccologia.org/archivio.htm] webcite Tabaccologia 2005 , 1:39-47. [Eng. A critical review of scientific literature on narghile (Shisha, Hookah, Waterpipe) from its origins to date: the need for a comprehensive socio-anthropological, medical and pharmacological approach] / Chaouachi K Shisha, hookah. Le narguilé au XXIe siècle. Bref état des connaissances scientifiques. Le Courrier des Addictions 2004 , 6(4):150-152. [Eng.: Narghile, Hookah in the 21st Century: An Overview of the Scientific Knowledge] / Chaouachi K Narghilé: un problema di Sanità Pubblica. Tabaccologia 2006 , in press. http://www.tabaccologia.org/archivio.htm webcite [Eng.: Narghile(Hookah) and Public Health]).

    Este ponto é de extrema importância pois podem representar inutilização dos resultados correspondentes, como ocorreu na maioria dos estudos anteriores. Numa visão do rápido desenvolvimento do uso arguilé no mundo, nós definitivamente não pouparemos tempo nem recursos para beneficiar a saúde humana mundial. Numa mão, o forte contexto sócio-antropológico do elegante uso do arguilé num mundo global mostra que embaixo do contexto social existem similitudes, mas também grandes diferenças com o uso do cigarro (Chaouachi K Letter to the Editor: The Social Context of Individual and Collective Smoking: Similarities and Differences. [http://tc.bmjjournals.com/cgi/eletters/15/1/59] webcite РTobacco Control Р2006: 1 Apr.). Noutra mão, confirma que “a saúde pública é uma questão social” como recente e relevantemente enfatizado pelo Dr. Lee, Diretor Geral da Organização Mundial da Saúde (Lee JW Public health is a social issue. Lancet 2005 , 365(9464):1005-1006).

    Método

    O presente trabalho se baseia numa minuciosa e crítica resenha ao relatório da OMS. As descobertas dos estudos citados pelos autores são comparadas com os resultados daqueles não citados naquele documento, ambos nos campos das ciências biomédicas e sociais. Nós percebemos que os erros estão presentes nos seguintes temas: a química da fumaça, efeitos causados na saúde, padrões da fumaça, descrição e história do artefato e seu uso, aspectos do uso em relação ao gênero e minoridade, prevenção e necessidade de pesquisa nesse campo. A correspondência de sua análise e comentários estão combinados tanto quanto o possível e reportados como subseções na seção Resultados e Discussões, nominado: Origens; Produção de Alcatrão; Aquecer e Queimar; Crianças; Mulheres; Novo carvão; Redução do dano causado; Infecções; Cenário para uma epidemia; “vício em Nicotina”; Principais estudos; Prevenção; Estado da pesquisa; Drogas.

    Interesses conflitantes

    O(s) autor(es) declara(m) n√£o ter interesses conflitantes.

    Reconhecimentos

    A nota consultiva da TobReg da OMS (Organização Mundial da Saúde) entitulada “Fumando em um cachimbo de água: efeitos na saúde, necessidade de pesquisa e ações recomendada para os regulamentadores” foi publicada na Tobacco Free Initiative em 2005.

    Tobreg é o grupo de estudo da Regulamentação do Tabaco na OMS. Seus distintos membros são: Erik DYBING (Noruega; Presidente); David L. ASHLEY (EUA); David BURNS (EUA); Mirjana DJORDJEVIC (EUA); Nigel GRAY (França); S. Katherine HAMMOND (EUA); Jack HENNINGFIELD (EUA); Martin JARVIS (RU); K. Srinath REDDY (India); Channing ROBERTSON (EUA); Ghazi ZAATARI (Líbano).

    Referências

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    1. Chaouachi K Letter to the Editor: The Social Context of Individual and Collective Smoking: Similarities and Differences. [http://tc.bmjjournals.com/cgi/eletters/15/1/59] webcite

    Tobacco Control

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    1. Lee JW Public health is a social issue.

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    Vers√£o traduzida:

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    Versão original (Inglês):

    Online aqui.

    Download aqui.

  • Fala galera!

    Bom o post de hoje é a primeira parte sobre um artigo que estou traduzindo que mostra que a tão conhecida pesquisa da OMS que diz que arguile faz mais mal que 100 cigarros foi totalmente um engano, não fizeram nada direito!

    Bom, o autor é o Kamal Chaouachi, um Biomédico e pesquisador em Sócio-Antropologia e Tabacologia e Consultor em Controle de Tabaco.

    Segue a primeira parte que é bem extensa mas vale a leitura!

    A tradução está sendo feita por mim e pelo Victor Ribeiro (HoboNargile), que encontrou o artigo.

    Resumo

    Cen√°rio e objetivo

    O Grupo de Estudo da Regulamentação dos Produtos de Tabaco (TobReg) da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou em 2005 uma “Nota Consultiva” entitulada: “Fumando narguilé: efeitos na saúde, pesquisas necessárias e ações necessárias para os regulamentadores”. Fumar “narguilé” agora é considerada uma ameaça à saúde pública global e o artefato correspondente é conhecido no mundo por três principais nomes: hookah, narghile e shisha. Este importante relatório, o primeiro realizado pela OMS no assunto, apresenta dois grandes problemas. De um lado, suas referências bibliográficas ignora os principais e mais relevantes estudos sobre o assunto. De outro, contém um certo número de erros em vários assuntos: biomédico, sociológico, antropológico e histórico. O propósito do presente estudo é demonstrar, ponto por ponto,  onde estão os erros e as incoerências e demonstrar como esse relatório oficial pode ser consideravelmente melhorado.

    Resultados

    Percebemos que os estudos antropológicos amplamente consultados não foram tomados em consideração, enquanto eles focaram mais nessa peculiar forma de fumar e ajudaram a entender a sua grande complexidade. Como erros concretos a serem encontrados nesse relatório, eles lidaram com a química da fumaça, efeitos na saúde, padrão da fumaça, descrição e história do artefado usado, aspectos do uso em relação ao gênero e à minoridade, prevenção e necessidade de pesquisas nessa área.

    Conclus√£o

    A credibilidade científica de um relatório internacional especializado pode ficar abalada se as suas recomendações não se basearem em descobertas científicas claras e numa resenha compreensiva da literatura existente. Os principais comentários desse estudo certamente ajudarão a melhorar o presente relatório da OMS.

    Cen√°rio

    O Grupo de Estudo da Regulamentação dos Produtos de Tabaco (TobReg) da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou em 2005 uma “Nota Consultiva” entitulada: “Fumando narguilé: efeitos na saúde, pesquisas necessárias e ações necessárias para os regulamentadores” (1). Esse relatório (OMS) foi preparado “em resposta aos pedidos feitos por aqueles Estados Membros onde a população está exposta a essa forma de uso do tabaco ” e foi adotada numa reuinÃo no Rio de Janeiro em 7-9 de junho de 2005. Esse documento é baseado principalmente no cenário desenhado pelo Dr. Thomas Eissenberg (EUA) e Dr. Shihadeh (Líbano), atualmente delegada para esse propósito a Dra. Yumiko Mochizuki, Diretora da Tobacco Free Initiative, com a colaboração do Dr. Maziak (Síria), Dr. Israel e Dr. Loffredo (EUA) e Dr. Mohamed (Egito) (1). Pesquisa liderada pela CSET (Centro Sírio de Estudos do Tabaco) formou uma parte essencial do relatório.

    Cover of the WHO “Advisory Note” entitled “Waterpipe Tobacco Smoking: Health Effects, Research Needs and Recommended Actions by Regulators“.

    Tal publicação oficial, que não era comentada até agora, realmente apresenta dois grandes problemas. O primeiro em relação às suas referências bibliográficas que ignora os principais e mais relevantes estudos mundiais, ambos nas áreas da ciência biomédica e social.  O caso dos estudos antropológicos existentes é particularmente notável, dada a reconhecida importância da dimensão sócio-cultural dessa particular forma de fumar. De fato, a prática do narguilé está enraizada numa complexa rede de aproximação da interrelação das questões sociais, culturais e de saúde num dado contexto humano. O secundo problema se dá com os múltiplos erros contidos no relatório. Estes são de vários assuntos: biomédico, sociológico, antropológico e histórico.

    Consequentemente, o objetivo do presente artigo é demonstrar, ponto por ponto, onde esses erros e contradições se encontram, e mostrar como o relatório da OMS pode ser melhorado consideravelmente. Nós certamente dividimos a preocupação com a saúde advinda do uso crescente do narguilé no mundo. Entretanto, a credibilidade científica do relatório internacional especializado pode ficar abalada se sua recomendações não se basearem em descobertas científicas objetivas e claras.

    Nesse estudo, ressaltamos a importância e relevância das referências omitidas e comentadas, e revisamos criticamente aquelas citadas pelos autores. Quanto aos erros, são analisados por subseções relevantes no tópico Resultados e Discussão.

    Resultados e Discuss√£o

    Origens

    É ditto que (página 1), Segundo Chattopadhyay, “arguilés são usados para fumar tabaco e outras substâncias por indígenas da África e Ásia pelo menos os últimos 4 séculos” [2]. A citação não é precisa por que esse autor não menciona, em nenhum ponto, nenhuma desses fatos em seu artigo. Além disso, evidências sobre a origem indiana do arguilé é fraca.  De fato, os mais antigos resquícios foram encontrados no Sul e no Leste africano [3]. Por exemplo, fornilhos do arguilé fora escavados em 1971 por J.C Dombrowski na caverna Lalibela (Etiópia). Datação de Carbono 14 demonstraram o seu uso por volta de 1320/1380 [3,4]. O grande crescimento do isso do arguilé na sociedade, tanto para uso individual ou coletivo, cálculos históricos mostram que foi simultâneo com o aparecimento público das casas de café (cafés) e a adoção do tabaco no Oriente Médio: próximo do fim do século 16 e começo do século 17 (IBID). para os autores do relatório (OMS), o mito do arguilé como um modo mais seguro de fumar é tão antigo quanto a sua invenção na Índia. Entretanto, não há motivo na insistente necessidade da origem indiana, porque isso também é um mito.

    Produção de alcatrão

    De acordo com o relatório da OMS (página 1), “Ferramentas de marketing associadas com o arguilé e seu tabaco podem reforçar essa incomprovada crença. Por exemplo, a marca de um popular tabaco de argulé vendido no sudoeste da Asia e América do Norte consta ‘0.5 de nicotina e 0% de alcatrão’”. Uma investigação foi realizada em produto similar na França [3,5,6] e tivemos a possibilidade de clarear esse ponto dando ênfase à importância de parâmetros como a frequência da baforada, volume e outros (id). Essas estimativas acima foram realmente obtidas com parâmetros leves de fumaça similares àqueles usados para o ato de fumar cigarro. Consequentemente, elas não refletem uma visão menos realística do uso humano do arguilé do que outras, onde as severas condições impostas numa máquina de fumar arguilé, possibilitou a produção, dentre outras coisas, da quantidade excessiva de alcatrão [7,8].

    A quantidade de alcatrão obviamente depende da frequência da inalação. Por exemplo, dois não citados estudos envolveram o tumbâk [9,10] e usaram diferentes parâmetros de baforada do que a os recentemente utilizados no tobamel (uma mistura de tabaco e melaço, chamado “mu’essel” em Árabe)[8]. As discrepâncias nos resultados são gritantes: os dois primeiros encontraram uma redução de cerca de 50% de alcatrão (fumaça comparada com aquela produzida pelo narguilé sem água dentro) enquanto o último obteve sucesso em produzir impressionantes quantidades: 802 mg em uma hora de sessão. A explicação reside no fato de que, no último caso, o modelo laboratorial foi completamente diferente do uso humano do arguilé. Apenas uma pequena quantidade da mistura de fumo foi usada: 10 gramas ao invés das usuais 20 gramas, de acordo com o importante trabalho de Hadidi [11]. O carvão, do tipo “acendimento rápido”, de desconhecida composição química, foi deixado na mesma posição durante toda sessão, o que perfaz quase uma hora, ao invés dos 45 minutos de uso normal [11]. Essa situação é contrária à prática normal que envolve mover constantemente o carvão para se evitar a “carbonização” do produto. Baforadas de grande volume (530 ml) foram feitas periodicamente e em ritmo rápido: a cada 17 segundos, contra os 30 segundos padrões [11]. Nessas condições, 171 baforadas foram feitas, contra as 90 que seriam normais [11]. Esses parâmetros foram realmente estabelecidos de acordo com um calculo padrão da estimativa coletada numa topografia de fumaça num café. Suficientemente estranho, o dado correspondente foi analisado, em sua grande maioria, somente pelos primeiros 30 minutos de sessão. Além do mais, é sabido que durante esse período, o intervalos entre as baforadas tende a ser muito maior, embora irregular. Durante uma sessão inteira, as variáveis do ato de fumar tem, aleatoriamente e de uma maneira drástica, muitos altos e baixos. Consequentemente, de um ponto de vista metodológico, o uso de um cálculo padrão durante um longo período de tempo, particularmente da frequência da baforada, é uma séria distorção metodológica. De fato, especialistas alertam contra o uso de “máquinas de fumar” na área do cigarro, onde, contudo, a sessão de fumo é extremamente curta em comparação ao arguilé: “Kozlowski assemelha o teste FTC com tentar medir a ingestão de calorias inventando uma máquina de comer. Ele diz que um método melhor seria estudar as mudanças nas pessoas após comerem. Similarmente, estudar os efeitos do cigarro nas pessoas seria melhor do que usar um sistema baseado numa máquina. ‘Em outras palavras, excluam a máquina de fumar como intermediária’, diz ele” [12].

    Al√©m do mais, h√° tamb√©m outros par√¢metros importantes que poderiam mudar a quantidade e natureza das subst√¢ncias absorvidas pelo fumante: velocidade de aspira√ß√£o, press√£o, a solubilidade de certas subst√¢ncias na √°gua, volume do fornilho, quantidade e temperatura da √°gua, subst√¢ncias adicionadas, cumprimento da mangueira de aspira√ß√£o e outras… O que faz do alcatr√£o perigoso n√£o √© a sua quantidade mas a sua qualidade e, acima de tudo, sua temperatura. Nessas condi√ß√µes, a verdade cient√≠fica ser√° encontrada entre essas duas estimativas extremas: nem ‚Äú0% de alcatr√£o‚Äù como dito na embalagem comercial de ‚ÄúTobamel‚Äù, e nem ‚Äú802 mg‚Äù artificialmente produzido numa condi√ß√£o n√£o real√≠stica no laborat√≥rio.

    Quanto a nicotina, apesar dos parâmetros acima mencionados, a produção de nicotina, comparada com aquela encontrada num único cigarro, está longe de assustar os “viciados em arguilé” ou de explicar o comportamento desses. Consequentemente, essa questão mostra o que agora é necessário é simular, num laboratório, a realidade no uso humano do arguilé. Se quisermos ser críveis em nossos esforços de prevenção, o uso artificial do arguilé, que gera grandes quantidades de alcatrão [7,8], deve ser evitado a fim de se evitar essa confusão.

    A parte 2 fica pra pr√≥xima quarta 🙂

    Espero que tenham lido tudo e gostado.

  • Enquanto o pessoal fica preocupado perturbando os arguileiros com referencias err√¥neas da Wikip√©dia, muita coisa faz t√£o mal quanto o narguile e n√£o h√° consentimento disso.

    Sempre eu vejo pessoas ficarem “alertando” — ‚Äúo narguile equivale a 100 cigarros,a √°gua n√£o filtra nada,¬† narguile √© que nem droga, √© tudo maconheiro‚Äù e isso tudo sem nenhuma informa√ß√£o concreta/convicta, segundo o Jornal Brasileiro de Pneumologia esse estudo sobre a famosa “sess√£o de narguile = 100 cigarros” √© equivocado, uma vez que simularam esse estudo¬† pela quantidade de fuma√ßa que obviamente √© muito maior.

    Sobre o estudo:
    “Notavelmente, tal cr√≠tica mostra que os grandes volumes de fuma√ßa t√™m pouca rela√ß√£o com a nicotina e que o uso de narguil√© causa muito menos depend√™ncia do que o consumo de cigarros.”

    “N√£o √© surpresa que experi√™ncias com intervalos entre baforadas de 1 min ou mais n√£o tenham sido descritas. De fato, m√°quinas que simulam o uso de narguil√© ajustadas com par√¢metros diferentes mostraram rendimentos de t√≥xicos completamente diferentes.Por exemplo, Sanghvi, um renomado especialista em c√¢ncer, conduziu h√° tempos uma an√°lise qu√≠mica dos volumes de alcatr√£o e ¬≠nicotina na fuma√ßa e afirmou que os resultados foram compar√°veis √†queles obtidos em alguns dos mais fracos cigarros dispon√≠veis no mundo, demonstrando a efici√™ncia da √°gua como filtro. Esse importante experimento nunca foi citado na literatura corrente.”

    Vocês acham que é certo comparar a composição do cigarro com 4700 substancias tóxicas nocivas a saúde(inclusive formol e outros) com o simples fumo de narguile que é composto de Tabaco, Glicerina, Melaço e Aromas? Claro que o narguile também faz mal, mas não é tudo isso que dizem!

    […]o simulador de consumo de cigarro de padr√£o internacional (que solta apenas algumas baforadas a cada 60 segundos . No entanto, √© surpreendente que n√£o tenha sido questionada a relev√¢ncia de um “modelo” laboratorial baseado em uma m√°quina para o uso de narguil√© (Universidade Americana de Beirute), cuja fonte de calor (carv√£o) fica sempre na mesma posi√ß√£o e que solta baforadas a cada 17 s durante uma hora cheia. Listas do rendimento de alde√≠dos, hidrocarbonetos arom√°ticos polic√≠clicos, etc., s√£o amplamente aceitas sem questionamento. As seguintes quest√µes deveriam ter sido levantadas: “O usu√°rio de narguil√© √© um rob√¥?”; “Essa m√°quina “padronizada” (simulador) √© realista?“; “Se o modelo de uma m√°quina que simula o consumo de cigarro em uma sess√£o de 5 min foi rejeitado, como se pode fundamentar a relev√¢ncia de uma m√°quina que simula o uso de narguil√© por 60 min?” No entanto, h√° cr√≠ticas revisadas por pares sobre a topografia subjacente ao fumo.[…]

    Hoje em dia existem tantas coisas que prejudicam muito mais nossa saúde e ninguém fala nada.

    Esses dias andando na rua, passou um caminhão velho com motor desregulado, borrifando aquela fumaça preta e suja em mim(acredito que seja pior que varias sessões de narguile com os amigos )


    Queimadas, principalmente as de cana no interior onde a qualidade do ar é tão pura, chegam a igualar com o grau do ar poluído das capitais.


    Esses dias em um salão de beleza esperando minha mina, tinha uma moça descolorindo o cabelo, outras fazendo unha, outras pintando o cabelo.

    Enfim aquele festival de Química no AR por serem na maioria substâncias voláteis(que se evaporam facilmente, como a água) é muito fácil de se inalar e muito prejudicial. Nesse mesmo salão já vi várias funcionarias passando mal por esses motivos.

    Bom pessoal existem in√∫meros casos, muitos mesmo, que s√£o muito prejudiciais a sa√∫de e eu acho uma palha√ßada ficarem difamando/falando coisas que n√£o sabem sobre arguile(como no caso de equivaler a 100 cigarros ou que todo mundo que fuma narguile¬† usa maconha/crack) Ainda mais quando se trata de sa√∫de o que pode influenciar gera√ß√µes a n√£o passarem para frente essa tradi√ß√£o que √© acima de tudo uma confraterniza√ß√£o com nossos amigos, familiares e mais chegados. Portanto, mesmo a Wikip√©dia sendo um site de respeito, qualquer um pode editar! At√© mesmo visitantes e tamb√©m n√£o s√£o todas as pesquisas que cont√©m dados exatos, acredite no que voc√™ tem certeza que √©, no que voc√™ j√° vivenciou/tem experiencia, no que tem mais l√≥gica de ser! Abra√ß√£o a todos e bora fumar narguile 😀

  • Bom, acho que ap√≥s 2 anos de blog j√° tirei muitas d√∫vidas e as principais ser√£o ditas a seguir, para facilitar quem tem vergonha de perguntar 🙂

    MITO: O arguile não faz mal pois é essência, ervas aromatizadas e não contém tabaco.

    FATO: O principal produto usado nos fumos (essência para alguns) de arguile é o tabaco.

    MITO: A água do arguile filtra a fumaça, tornando-o mais puro.

    FATO: Mais de 95% dos produtos químicos e toxinas que são produzidas pelo fumo do arguile são inalados profundamente nos pulmões pelo usuário, independentemente da água.

    MITO: O cachimbo de água não contém nicotina suficiente para tornar-se viciante.

    Calma, calma! O arguile não faz tããão mal assim como pareceu! Leia outras matérias sobre saúde já postadas no blog.

    Tem alguma outra dúvida? Não achou sua resposta nas outras matérias já postadas? Faça um comentário e fique atento pois respondo o mais rápido possivél!

    Abraços!

  • Galera, segue uma mat√©ria bem bacana que encontrei na internet:

    Os dois tem algo em parecido: Um é acendido ao final de um cigarro, enquanto o outro é um pedaço de carvão em cima do arguile. Ambos os itens são acesos para produzir fumaça do tabaco.
    Nós sabemos que o tabaco provoca vários problemas de saúde, mas é um método de fumar mais segura do que o outro?

    Em uma pesquisa anônima de estudantes FGCU(Universidade da Costa do Golfo da Flórida), os cigarros eram considerados piores. Dos 35 alunos entrevistados, 63,2% disseram acreditar que fumar cigarro é mais seguro do que uma sessão de narguile 45 minutos.

    Dylan Ceresoli, 2¬∫ ano de justi√ßa criminal, ¬†”O cigarro √© pior – eles causam vicio, fedor, e s√£o mais atraentes.”

    No entanto, pesquisa recente sugere que fumar arguile n√£o pode ser muito mais seguro do que fumar cigarros.

    De acordo com a revista FloridaTrend, um único cigarro contém cerca de 500 mililitros de fumaça. Uma única sessão de arguile detém cerca de 90 mil mililitros de fumaça, está associada com a nicotina a 1,7 vezes, 6,5 vezes o CO, e 46,4 vezes o alcatrão.
    Então, por que existe esse tal equívoco comum do arguile ser mais seguro do que os cigarros?
    Se Erin Fitz-Patrick, 2¬∫ ano em hospitalidade, se tivesse que escolher entre fumar um cigarro e fumar arguile, ela escolheria arguile.¬†”Eu nunca fiz isso, mas eles t√™m barras para isso e outras coisas… parece meio inocente, voc√™ sabe?”
    Esta aceitação social, juntamente com o fumo aromatizado que não é tão duro em sua garganta e pulmões, muitas vezes leva os participantes a pensar que é mais branda e, portanto, mais seguros, mais bacanas.

    “Eu creio que cigarros s√£o piores”, disse Chealsye Bowley, uma estudante de Ingl√™s e Filosofia.¬†”O cigarro √© feito em conjunto com conservantes e produtos qu√≠micos desagrad√°veis.”

    Embora os cigarros têm 599 substâncias, a fumaça do arguile não está completamente livre de toxinas.
    O Centro de Controle de Doenças e Prevenção disse que o arguile, por causa do modo de fumar, que inclui a soprar e inspirar várias vezes durante uma sessão longa,  fumantes de arguile podem até absorver maiores concentrações de toxinas.

    “A id√©ia de que a √°gua √© filtra as toxinas √© um mito”, disse Tracey Barnett, um professor adjunto da Universidade de Florida Departamento de Ci√™ncia Pol√≠tica e da Sa√∫de da Comunidade no artigo da revista FloridaTrend.¬†”Os cigarros possuem filtros, tamb√©m, mas n√≥s sabemos que voc√™ n√£o pode filtrar todas as toxinas associadas a ele.”

    Há também uma ameaça significativa para um gás tóxico também nos arguiles: monóxido de carbono.
    Um estudo de 2006 realizado por Katharine Hammond, presidente da divisão de ciências da saúde ambiental na Universidade da Califórnia, sugere que uma hora fumando arguile têm a mesma quantidade de monóxido de carbono que um maço de cigarro.

    A queima de carvão, que fica no topo do fumo e o aquece, é o culpado das emissões de monóxido de carbono.

    “Voc√™ n√£o tem permiss√£o para churrasco com carv√£o dentro de casa porque a taxa de mon√≥xido de carbono dentro de seu apartamento, iria at√© o teto”, disse Barnett FloridaTrend.
    No estudo de Hammond, verificou-se que os novatos do narguilé exalam uma média de 42 partes por milhão de monóxido de carbono. Fumantes só expiram 17 partes por milhão.

    Não são apenas os níveis prejudiciais para o fumante, que são um risco grave para os não-fumantes com os participantes sentados nos bares de arguile.

    Este fen√¥meno social n√£o √© apenas enfrentando a oposi√ß√£o de cr√≠ticos de sa√∫de.¬†Um projeto de lei federal dos EUA, a “Lei do Imposto Sobre o Tabaco” (HR 4439), foi apresentada ao Congresso em 13 de janeiro, o que aumentaria o imposto sobre o tabaco para arguile de 775%.

    Uma caixa de tabaco de arguile que atualmente é vendido por 5,99 dólares custaria mais de US $ 20. Marcas de fumo para aguile teriam de mudar para fumos Herbal, que é um fumo sem nicotina feita de folhas de chá, ou eles iriam fechar as portas.

    Enquanto empresários de arguiles continuam a ficar de olho nas contas, os fãs de arguile vão continuar a desfrutar das suas sessões de narguile, apesar dos riscos recém descobertos.

    Joe Angius, 2º ano em ciências ambientais, afirma que fuma cachimbo de água moderadamente.

    “Se voc√™ me dissesse que o arguile tivesse fibra de vidro, vest√≠gios de veneno de rato e produtos qu√≠micos t√≥xicos, ent√£o sim, eu ia parar fumar”

    Fonte: EagleNews.org

    Eu concordo com o Joe Angius. Só pararia se tivesse fibra de vidro, veneno de rato e produtos quimicos tóxicos. Hahaha

    Um leitor também me recomendou uma na qual achei muito boa:

    Recentemente passei a ouvir muitas pessoas afirmarem com seguran√ßa que uma sess√£o de consumo de tabaco por narguil√© equivaleria ao fumo de mais de 100 cigarros. Como tenho formada opini√£o c√©tica acerca de informa√ß√µes relacionadas a campanhas de sa√∫de p√∫blica, cujos dados me parecem ser muitas vezes descuidados e frequentemente exagerados, resolvi buscar a fonte da informa√ß√£o. Verifiquei tratar-se do artigo de revis√£o intitulado “Formas n√£o habituais de uso do tabaco”, de Carlos Alberto de Assis Viegas, publicado neste Jornal, vol. 34, n.¬†12.

    O texto, contudo, apresenta problemas de rigor, e a informação divulgada é, no mínimo, passível de dúvidas.

    Veja-se, primeiramente, o quarto par√°grafo ap√≥s o subt√≠tulo “Narguil√©”. Ali,
    l√™-se o seguinte: “Os fumantes de um cigarro habitualmente inalam entre 8 e 12 baforadas de fuma√ßa com 40-75 mL cada, em 5-7 min, inalando de 0,5-0,6 L de fuma√ßa por cigarro. Por outro lado, uma sess√£o de narguil√© habitualmente dura 20-80 min ou mais, durante a qual o fumante inala 50-200 baforadas num total de 0,5-1,0 L de fuma√ßa. Desta forma, o fumante de narguil√© deve inalar, em uma sess√£o, a mesma quantidade de fuma√ßa que um fumante de cigarros inalaria se consumisse 100 ou mais cigarros”.

    Ora, se atentarmos para a proporção ente os volumes de fumaça, veremos que não é possível fazer tal inferência: uma sessão de narguilé não corresponderia, em volume de fumaça inalado, a mais de 100 cigarros, mas a algo entre 1 e 1,7 cigarro.

    Tal equ√≠voco, entretanto, deve-se a um erro de reda√ß√£o. O artigo de onde se extraiu a informa√ß√£o afirma que cada baforada (e n√£o uma sess√£o) de narguil√© produz algo entre 0,15 L e 1¬†L de fuma√ßa e, portanto, o fumante “pode [e n√£o “deve”] inalar em uma sess√£o (…) tanta fuma√ßa quanto (…) [se] inalaria ao consumir 100¬†ou mais cigarros”.(1) Os n√∫meros causam estranhamento, mas a explica√ß√£o estaria no fato de que a √°gua filtra, sim, parte da nicotina, mas a assimila√ß√£o do alcaloide regularia a quantidade de fuma√ßa inalada, da√≠ o espantoso volume produzido em cada baforada.(2)

    Este √∫ltimo dado, referente √† rela√ß√£o entre a assimila√ß√£o de nicotina e o volume de fuma√ßa inalado √© citado no artigo em quest√£o, no √∫ltimo par√°grafo deste t√≥pico. Por√©m, no mesmo trecho l√™-se que “a √°gua usada no narguil√© absorve pouco da nicotina (cerca de 5%), fazendo com que os fumantes sejam expostos a quantidades suficientes para que a droga cause depend√™ncia”. Ora, se levarmos em conta os dados informados no quarto par√°grafo do t√≥pico, segundo o qual “a composi√ß√£o do tabaco usado para esta modalidade de consumo n√£o √© padronizada e seu conte√∫do de nicotina √© estimado entre 2%¬†e 4%, em compara√ß√£o com 1-3% do tabaco usado para cigarros”, concluiremos que o teor de nicotina da fuma√ßa ap√≥s a filtragem da √°gua continuaria a ser maior do que no cigarro (95% √ó 2-4%, resultando em algo entre 1,9% e 3,8%). Portanto, os fumantes de narguil√© n√£o inalariam mais fuma√ßa; ao contr√°rio, eles deveriam, em tese, inalar menos fuma√ßa. Ocorre, justamente, que o artigo de onde se extrai a informa√ß√£o sobre a filtragem, mais recente que o de Shihadeh et¬†al.,(1) n√£o chega √† mesma conclus√£o deste. Com efeito, em seu abstract l√™-se que “uma sess√£o de uso de narguil√© produziu um n√≠vel de cotinina urin√°ria equivalente ao consumo de 2¬†cigarros em um dia”.(3)

    Em suma, um dos artigos utilizados afirma que uma sessão de narguilé pode equivaler a 100 ou mais cigarros, e justifica isso com a hipótese de uma compensação entre a filtragem da nicotina e o volume de cada baforada; ao passo que o outro desautoriza essa justificativa, ao afirmar que a água filtra pouca nicotina, e chega à conclusão de que uma sessão inteira de narguilé equivale, em termos de nicotina absorvida, a fumar 2 cigarros, e não 100 ou mais. Assim, a informação do volume de fumaça e a da filtragem pela água são incongruentes entre si.

    Perguntamo-nos, assim, o que teria levado um texto científico a incorrer em tantos descuidos de rigor. E atrevo-me a uma resposta. O erro geral consiste em selecionar informações de artigos diferentes, que usam metodologias diversas e chegam a resultados distintos. O critério parece ter sido o de apresentar os dados mais impressionantes de cada um.

    Não se trata, na verdade, de um artigo científico, mas de um artigo de divulgação de material para o público leigo, com o fim de promover o antitabagismo. Mas por que apresentá-lo em embalagem científica? O motivo parece claro: influenciar a opinião pública. Mas não seria isso uma forma de ludibriar o público, ainda que para promover-lhe o bem? Seria justo induzir pessoas a repetirem algo incessantemente, seguros de que possuem a informação certa, quando na verdade tantas dúvidas pairam sobre ela? Se as informações são manipuladas para convencer as pessoas de certa conduta ou abstenção, quem, ou que grupo, decidiu por essa moralidade? Baseado em quê, já que os fatos que deveriam fundamentá-la são alterados para melhor persuadir de sua beneficência?

    O fato para o qual chamo a atenção aqui não parece ser isolado. É provável que outras grandes campanhas de saúde pública que visem promover mudanças de hábitos e costumes individuais apresentem problemas da mesma ordem. Isso certamente mereceria maior debate quanto aos problemas éticos implicados do que se vem observando atualmente.

    Alexandre Amaral Rodrigues
    Revisor parecerista dos Cadernos de Ética e Filosofia Política,
    Departamento de Filosofia, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo (SP) Brasil

    Referências

    1. Shihadeh A, Azar S, Antonios C, Haddad A. Towards a topographical model of narghile water-pipe café smoking: a pilot study in a high socioeconomic status neighborhood of Beirut, Lebanon. Pharmacol Biochem Behav. 2004;79(1):75-82.

    2. World Health Organization. WHO Study Group on Tobacco Product Regulation [monograph on the Internet]. TobReg Advisory Note: Waterpipe Tobacco Smoking: Health Effects, Research Needs and Recommended Actions by Regulators. Geneva: WHO/TobReg; 2005 [cited 2009 Feb 22]. p. 3-4. Available from: http://www.who.int/tobacco/global_interaction/tobreg/Waterpipe%20recommendation_Final.pdf

    3. Neergaard J, Singh P, Job J, Montgomery S. Waterpipe smoking and nicotine exposure: a review of the current evidence [abstract]. Nicotine Tob Res. 2007;9(10)987-94.

    Viram só, duas matérias que dizem que o arguile não é tão mal assim quanto o cigarro! Lembra da outra? Lembra que podemos diminuir os riscos de câncer no pulmão?

    E você? Vai parar?

  • Tudo come√ßou na Europa e Am√©rica do Norte, e agora est√° se espalhando pelo mundo.¬†Pa√≠s ap√≥s pa√≠s est√° proibindo o uso do tabaco em locais p√∫blicos.¬†Alguns pa√≠ses v√£o ainda mais longe. A¬†Finl√¢ndia pretende proibir totalmente o fumo, embora mais limitado leis est√£o aparecendo no lugares mais surpreendentes.

    O paraíso é fumante no Oriente Médio está entrando no jogo. proibição de fumar Síria(sim, foi proibido na Síria como foi proibido em São Paulo) abrange prédios públicos e pontos de encontro populares, tais como cafés, e agora o Egito está começando a proibição de fumar também. Alexandria é a primeira cidade a decretar a proibição, o que acabará por abranger todo o país. Os funcionários estão começando a aplicar uma lei já normalmente ignorada nos livros que proíbe o fumo em edifícios públicos, e à proibição vai se espalhar para outros edifícios públicos, como cafés no prazo de dois anos. Outras cidades serão em breve.

    Uma coisa que fica matutando na minha cabe√ßa √© a seguinte: Proibir fumar (principalmente arguile) na S√≠ria e no Egito? Onde j√° √© uma tradi√ß√£o, que passa de pai pra filho… Que √© da cultura deles… Am√©rica do Norte, Europa e Am√©rica do Sul, beleza… at√© da pra engolir. Mas Oriente M√©dio n√£o entra na minha cabe√ßa.

    Mas vai ser como est√° sendo aqui, vamos fumar nos parques, em casa etc. No fundo no fundo acaba n√£o afetando muito aos fumantes e ajuda os n√£o-fumantes a n√£o fumar passivamente.

    Também tem um outro ponto interessante que posso ser muito criticado e tenho certeza que posso perder alguns leitores ou não (porquê quem lê o blog, pra mim, são pessoas que apreciam) é que muitos modistas vão acabar parando de fumar porquê não vai dar para se aparecer para os outros em lugares públicos, coisa que eu acho totalmente RIDÍCULA. Se você é modista e lê o blog (improvável que tenha, mas beleza), pode parar de ler. Eu não me importo que eu vá perder visitas nem que você vá criticar para seus amigos modistas. Não me importo mesmo. Eu me importo com quem realmente aprecia o Arguile, estes querem sempre conhecer mais e fazem de tudo por uma arguilada cada vez melhor. Se você lê o blog diariamente/semanalmente ou o que quer que seja, provavelmente busca isso. Este leitor eu admiro e faço questão que leia o blog, critique, exponha suas idéias e tire suas dúvidas e dê dicas também.

    Enfim, vou deixar esse assunto para o próximo post.

    Forte abraço aos meus fiéis leitores!

  • Fumantes com abund√¢ncia de vitamina B no sangue t√™m um risco menor de desenvolver c√¢ncer de pulm√£o, sugere um estudo europeu.

    Altos níveis de vitamina B6 e o aminoácido metionina reduzem o risco pela metade, de acordo com o estudo de 400 mil pessoas.

    Os cientistas da Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC), disse que os resultados podem ser um indício de por que alguns fumantes nunca desenvolvem câncer de pulmão e alguns não-fumantes ou ex-fumantes.

    O câncer de pulmão é a forma mais comum da doença no mundo e 90 por cento dos casos são causados pelo tabagismo. Ele mata 1,2 milhões de pessoas por ano.

    Cerca de um em cada 10 fumantes desenvolvem câncer de pulmão Рembora muitas vezes eles morrem de outras causas relacionadas ao fumo, como doenças cardíacas, derrame e enfisema. O câncer de pulmão também é conhecido por matar pessoas que nunca fumaram ou que desistiram de anos atrás.

    O estudo da IARC foi publicado no Journal of American Medical Association. Ele olhou em torno de 900 pessoas com câncer de pulmão e mostrou que na vitamina B6 tem um aminoácido chamado metionina, que é encontrado em nozes, peixe e carne.

    “O que temos encontrado √© que essas duas coisas s√£o fortes marcadores de risco de c√¢ncer de pulm√£o, mas n√£o temos mostrado que eles est√£o causando aumento no risco,” disse o autor do estudo, Paul Brennan.

    “Isso indica que a dieta pode ter um papel importante no desenvolvimento do c√¢ncer de pulm√£o, mas ainda √© um pouco prematuro dizer simplesmente que, se voc√™ mudar sua dieta e comer mais alimentos com estas vitaminas, ent√£o voc√™ provavelmente n√£o ter√° c√¢ncer de pulm√£o no futuro.

    A maioria dos pacientes eram fumantes, mas também houve 100 que nunca fumaram e 260 que tinha parado.

    Dr. Brennan disse que a mudança no risco de câncer de pulmão ligado a B6 e níveis de metionina foi o mesmo para todos os três grupos, embora o risco total de contrair a doença foi muito maior nos fumantes para começar.

    Ele disse: “Para os dois nutrientes em conjunto, a redu√ß√£o do risco foi de cerca de 60 por cento.

    “Obviamente, se voc√™ tivesse um risco muito elevado, porque voc√™ fuma, ent√£o uma redu√ß√£o de 60 por cento do que √© muito importante, embora n√£o seja t√£o importante quanto deixar de fumar.”

    Os últimos resultados reforçam estudos anteriores que sugerem deficiências em vitaminas B pode aumentar a probabilidade de danos ao DNA e mutações genéticas subseqüentes.

    Um estudo sueco, em 2005, descobriu que mulheres com altos níveis de vitamina B6 apresentaram um risco menor de desenvolver câncer colorretal.

    “Basicamente, essas vitaminas B e os nutrientes est√£o todos envolvidos na via que √© respons√°vel pela cria√ß√£o e manuten√ß√£o de DNA,” Dr. Brennan disse.

    “Ent√£o, obviamente, que voc√™ iria querer que via entrar nesse caminho o mais r√°pido poss√≠vel.”

    Fonte: aqui (inglês britânico)

  • Basicamente a diferen√ßa √© que os fumos lavados t√™m menos nicotina que o fumos n√£o lavados. Quanto mais nicotina, mais facil de te dar tontura e ressaca de arguile.

    A lavagem é realizada geralmente em uma sala de água fria. Menos comum, o fabricante vai usar vinagre, como um ácido, que neutraliza e dissolve a nicotina muito bem (mas é mais caro). A nicotina é solúvel em água, de modo que a não precise de muitas lavagens quando a água é bem limpa.

    A porcentagem de nicotina na embalagem, 0,05% de nicotina é o que as empresas utilizam para indicar o tabaco é lavado (0,5% para os não lavados). Alguns sabores ficariam ruins se o tabaco fosse lavado, por isso algumas empresas de fumos lançam uma outra linha ou as vezes uma outra marca com sabores diferentes. (por exemplo a Nahkla que tem a El Basha, para tabacos não lavados. HookaH HookaH que tem a linha Evolution, para tabacos lavados etc).
    A maioria das pessoas dizem que o tabaco sem nicotina (lavado) tem menos sabor, isso fica a critério de cada um, mas uma coisa é importante: provavelmente tem os mesmos riscos de saúde.
    Lavados:
    Al Amir
    Al Fakher
    Amaren
    Ed Hardy
    Havana
    Janan
    Starbuzz
    Tangiers (lucid)
    Tonic
    360 Black Snow
    Al Ajamy
    Bisan
    Cleopatra
    Crystal
    Epic
    Jewels
    Sahara
    Salloum
    Tembo
    N√£o Lavados:
    Abed Elkader
    Al Ouns
    Desi Murli
    Fantasia
    Fumari
    Fusion
    Jawaher
    JM’s
    Layalina
    Mizo
    Mouj al Bahr
    Nakhla
    Romman
    Serbetli
    Tangiers (noir & F-line)
    Wazir
    Afzal
    Al Masah
    Al Sultan
    Al Waha
    Bahara
    Baja
    El Baz
    Hennawy
    Hookah Hookah
    Hookah Freak
    King
    Petra
    Pharaoh’s
    Potion
    Prince
    Rosetta
    Saet Safa
    Shams El Asil
    Sultan
    Taru
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