Olá Galera!
Conforme prometido e pela grande repercussão do post anterior, o Victor Ribeiro e Eu decidimos traduzir mais este artigo, que com certeza vale a leitura completa!
Espero que gostem!
A versão original (e com imagens) desta entrevista pode ser vista clicando aqui.
A versão traduzida (e com imagens) abaixo pode ser baixada clicando aqui.
Uma prisão global?
Nessa entrevista exclusiva, o pesquisador especialista em tabaco, Dr. Kamal Chaouachi, fala para Chris Snowdown sobre o arguilé e o movimento anti-tabaco, e explica o por quê a Organização Mundial da Saúde tem perdido a sua credibilidade científica na área do tabaco.
Uma entrevista com o Dr Kamal Chaouachi
A Organização Mundial da Saúde aumentou a sua atenção para o uso de cachimbos d’água (arguilés) como forma de fumar. Durante anos, cachimbos d’água (hookahs, shishas ou narghiles) caíram no radar das organizações anti-tabaco em sua luta contra o cigarro. Isso se dá por não serem tão usados no mundo ocidental, e pelo crença de que – como cachimbos, charutos e tabaco de mascar – são significativamente menos perigosos para a saúde.
Dr Kamal Chaouachi (pronuncia-se Sha-wa-shi) é um pesquisador de tabaco de Paris que possivelmente é o maior especialista científico do fumo de narguilé. Ele é um colaborador científico de vários excelentes centros de pesquisa na Ásia, África e Europa. Também trabalhou como consultor, embora nunca tenha sido contratado pela indústria farmacêutica ou do tabaco.
Dr Chaouachi foi autor e co-autor de dois livros de conhecimento transdicisplinar e dúzias de publicações biomédicas incluindo:-a critique of the WHO expert report on hookah smoking (2006);
-the first world aetiological studies on hookah smoking and cancer (2007, 2008);
-a study on its radiological hazards (2008);
-a 60 page Tetralogy on Hookah and Health (2005, 2006);
-an in-depth critical review of its ETS (Environmental Tobacco Smoke), i.e. passive smoking (2009)Uma lista de vários artigos do Dr Chaouachi’s podem ser vistos em:
http://publicationslist.org/kamal.chaouachiCS: Dr Chaouachi, poderia contar um pouco sobre você e seu trabalho?
KC: Eu estudei física, química e ciências sociais nas universidades de Paris VII e Paris X. Eu tenho um diploma de pós-graduação em ciência do tabaco da Universidade de Patis XI, onde eu também ensino doutores franceses o que a ciência diz sobre narguilés. Sou especializado somente em narguilés, e não em cigarros. Eu tenho pesquisado as questões do tabaco, principalmente de uma perspectiva médico-antropológica.
Eu nasci na Tunísia. Fui criado lá, na França e no Oriente Médio. Tunísia é um país interessante porque foi onde eu notei o cenário do narguilé. No final dos anos 80, uma coisa incomum aconteceu lá: fumar narguilé em áreas abertas foi proibido enquanto fumar em locais fechados permanecia permitido, para não falar encorajado. Talvez alguns ministros naquela época pensaram que a visão de adultos fumando narguilé em publico (particularmente nos terraços dos cafés) não passava uma imagem positive para as multidões de turistas que visitavam o país a cada ano. Pouco a pouco, eles perceberam que os turistas na verdade gostavam de fumar arguilé então esqueceram a proibição.
CS: Hoje, países como a Britânia e a França incluiram bares de arguilés em suas largas proibições para fumo em locais fechados. Julgando pela divulgação da imprensa sobre a pesquisa da OMS em 2006, pode-se pensar que cigarros têm apenas uma pequena importância na taxa de mortalidade por tabaco. Hoje, a OMS declara explicitamente que todas as formas de tabaco são igualmente perigosas. Ela alega que 5 milhões de pessoas morrem no mundo de doenças relacionadas ao tabaco, e prediz que essa taxa dobrará para 10 milhões em 2020. Mas a OMS alerta que mesmo essa estimative pode ser muito baixa por conta do uso do arguilé, dizendo:
” Formas de fumar diferentes do cigarro, como cachimbos de água, também conhecidos como “shishas”, “narghiles” ou “hubble-bubbles”, ganham maior aceitação em todo mundo, especialmente entre hovens em cafés e em campus universitários.”.De acordo com Dr Charles Warren do Programa de Controle Global de Tabaco da OMS:
” Dadas as altas taxas do uso de tabaco sem ser por cigarro entre os jovens, especialmente meninas, as estimativas anteriores de 10 milhões de mortes por ano em 2020 pode ser muito conservadoras.”.
Dr Chaouachi, o quão sério você leva esses avisos sobre o uso de tabaco e arguilés?
KC: Sobre assuntos relacionados ao tabaco, a OMS não é mais uma agência da ONU objetiva e independente atada a um estrito mandato ético. A OMS recentemente tem sido criticada por pesquisadores independentes por ter repetidamente publicado inadequadas recomendações especializadas (Oxman et al., Lancet, 2007). Deixando de lado a questão de seu recente emprego da política anti-tabaco, ela contrata exclusivamente especialistas anti-tabaco que, na maioria das vezes, estão afiliados a organizações sob o azo da Globalink, da UICC e Pfizer – patrocinados por organizações anti-tabaco.
Sem grande surpresa, essa situação também é refletida na diversidade geográfica, linguístico e ideológico do Grupo de Estudo de Regulação dos Produtos do Tabaco (TobReg) da OMS. Até recentemente, a maioria dos seus membros (6 de 11) pertenciam ao grupo antitabagista dos Estados Unidos da América. Os poucos membros não norte-americanos possuem a mesma simpatia ideológica (antitabagista) de seus colegas americanos ou seguem essa linha abertamente. O libanês é afiliado à Universidade Norte Americana de Beirute. Os assentos sul-africano, holandês e brasileiro são, na verdade, muito recentes, e somente foram criados como resultado direto de minhas críticas (sobre a falta de diversidade). Dois especialistas independentes de lá (da Índia e do Reino Unido), servem como um tipo de álibi. Contudo, no final, as decisões são tomadas por maioria absoluta.
O que o mundo precisa atualmente é um conselho científico democrático e independente (tanto da indústria farmacêutica e tabagista) que seja representativo de todas as tendências na pesquisa sobre o tabaco.
CS: E essas são as pessoas que ditam a política de controle de tabaco da OMS?
KC: Esses são os indivíduos que trazem “evidências científicas” em decisões que afetam diariamente a vidade de centenas de milhões de pessoas no mundo. Esses membros da TobReg podem ser encontrados entre os palestrantes de Conferências Mundiais sobre Tabaco e Saúde, que são realizadas a cada 3 anos. A última foi realizada em Bombay em março de 2009. Lá, Gregory Connolly, da Harvard School of Public Health, um membro da Globalink e, logicamente, um colega íntimo dessas pessoas, alertou que “qualificar o tabaco sem combustão (tabacos que não são acessos diretamente) como um agente de menor potencial ofensivo pode (…) tirar a indústria farmacêutica do mercado de interrupção do hábito de fumar e enviar a mensagem errada a centenas de milhões de usuários de tabaco sem combustão em países em desenvolvimento” (Connolly, 2009).No campo do tabaco, a OMS não faz mais ciência, mas mera propaganda. Por exemplo, pode-se ler em seu site frases como: “Pesquisas rigorosas não deixam dúvida”. Obviamente, a função dessa narrative é fazer com que o leitor não questione a “ciência” oferecida para ele/ela numa linha dourada dada por especialistas oficiais. Como Connolly, a OMS afirma em um de seus relatórios que todas as formas de tabaco são igualmente perigosas, “mortais” para ser mais preciso. Isso não faz sentido. Um rapé úmido, como o Swedish Snus (marca de rapé), é, na visão de proeminentes especialistas internacionais, altamente recomendável por conter pouquíssimas substâncias cancerígenas. Numa ampla perspectiva da redução do prejuízo, seu uso deve ser encorajado, particularmente na Asia e na África. Isso é o que fizemos em nosso estudo sobre arguilé e o câncer.
CS: Então o quão perigosos são os arguilés para os usuários?
KC: Eu tenho causado estranheza nos especialistas da OMS pois eles publicaram dois (sim, dois) relatórios sobre arguilé que contém sérios erros científicos. O mais famoso foi preparado por especialistas em “cachimbo de água” do Centro Sírio de Estudos do Tabaco, fundado pelos Estados Unidos, no qual sua logo é um arguilé e seus estudos quase sempre focam no “cachimbo de água”. O relatório da OMS foi preparado também pela Universidade Americana de Beirute, com estímulos diretos (“várias camadas de revisões científicas”) de especialistas da TobReg.
Todos esses especialistas demonstraram ao mundo o quanto ignoravam o fato de que a mistura de fumo usada num arguilé moderno (como os usados na Europa e Estados Unidos) não é queimada, mas aquecida por uma grande extensão. Esse “detalhe” tem enormes consequências químicas porque, no final, a fumaça é muito menos complexa do que a gerada por um cigarro. De fato, eu tenho enfatizado que apenas centenas de compostos contra milhares foram encontradas em ambos os casos.
O relatório da OMS (“Nota Consultiva” como chamaram) está maculado diversos erros do mesmo tamanho, cotações de estudos equivocados e tendenciosos, depois de terem sido extremamente cuidadosos. Eles não apenas puseram minhas últimas publicações (dentre elas, uma tese transdisciplinar de doutorado sobre o assunto, com 420 páginas e 850 notas de rodapé) e colocaram em sua lista negra, mas também estudos sobre arguilé feito por prestigiados especialistas internacionais sobre tabaco e câncer das últimas décadas (Hoffmann, Wynder, e muitos outros).
Além disso, por 2 anos, o chefe do Centro Sírio Norte-americano não declarou a sua co-autoria no relatório. Não tenho nada contra financiamentos pelas instituições americanas. Entretanto, tenho visto como a equipe encarregada pela seleção de projetos em relação ao tabaco nos “países em desenvolvimento” e canalização dos fundos relacionados sempre tem objetivos proibitórios**.
CS: O quão equivocado era o relatório da OMS e qual o efeito que isso tem?
KC: Você pode imaginar um relatório da OMS onde as duas primeiras frases contém uma citação equivocada e um erro enorme? Ainda assim, eu adverti o Dr Lee, ex diretor geral da OMS, que a situação iria piorar se eles não permitissem uma mudança democrática de perspectivas nesse assunto polêmico (Cartas 15 de Dezembro de 2005 e 31 de Março de 2006).
De fato, eu não quis publicar minha crítica ao relatório da OMS, que foi a minha primeira publicação substancial sobre o assunto. As datas e o conteúdo de minhas cartas para o Dr. Lee mostram que eu fui compelido a fazer isso. Notavelmente. Eu conclui com essas palavras:
“Finalmente, se nenhuma ação for tomada rapidamente, tenho medo de que esse errôneo relatório amplamente advertido terá enormes efeitos negativos. De um lado, tirará a reputação do trabalho de uma agência das Nações Unidas. De outro, fará do uso do arguilé algo muito mais atrativo.”
Infelizmente, foi isso o que aconteceu. Eu às vezes recebo ligações de oficiais de saúde pública de todo o mundo que estão assustados com o crescimento do uso do arguilé em seu país. Alguns deles agora me perguntam: qual solução você dá? Respondo que a censura não funciona e que eles estão colhendo as frutas podres que os “especialistas em cachimbo de água” plantaram por 8 anos. Usuários de arguilés, e particularmente adolescentes, têm visto como esses especialistas fizeram grandes erros e muitos deles sentem que eles foram enganados. A promoção do medo provou, mais uma vez, ser contra-produtivo.
Um sistema inteiro é responsável por essa situação: OMS, Globalink, jornais como Tobacco Control, Nicotine and Tobacco Research, Addiction, The Cochrane Review, e muitos outros com conexão direta ou indireta com essas pessoas.
Você começou a entrevista citando Charles Warren. Para a sua informação, ele foi co-autor num artigo publicado na International Journal of Public Health (“As if cigarettes were not enough, here comes narghile“), um jornal de revisão científica. Seu artigo dá uma bela imagem de uma publicação prévia no mesmo jornal no qual, dentre inúmeros e sérios erros, os autores (Yunis e al.) trocam os nomes dos produtos e, o mais pitoresco, consideram a Tunísia um país do Oriente Médio.
Numa visão do que eu disse, I só posso responder a sua pergunta “O quão perigoso é o arguilé para o seu usuário?” com: o que os especialistas em arguilé têm realmente demonstrado é que eles mesmos são o problema, muito mais que o próprio arguilé. Como um dispositivo no qual o tabaco é somente aquecido pode ser equivalente a 400 ou 200 cigarros como esses bem conceituados cientistas tem alegado? Está na hora de responsabilizar alguém dessa área.
CS: E sobre a questão do fumo passivo? Há uma crença crescente de que todas as formas de tabaco são igualmente perigosas e as proibições ao fumo de lugares como a França e a Grã-Bretanha são baseadas - em parte - na famosa afirmação de Surgeon General Carmona que “não há nível seguro de fumo passivo“.
As proibições, é claro, foram desastrosas para os bares de narguilé, mais ainda do que para os pubs. Você acha que essas proibições sejam cientificamente justificadas?
KC: Durante muito tempo, eu não prestei atenção ao Fumo Ambiental do Tabaco, porque eu era muito ingênuo ou muito ocupado, ou ambos. No Reino Unido, a proibição de fumar narguilé foi cientificamente apregoada pelos médicos, que publicaram uma tribuna no British Medical Journal (Gatrad et al., 2007).
Mais uma vez, eu tinha dificuldade em perceber porque o fizeram. A primeira centrou-se em ”provas” sobre os efeitos na saúde e encontrei vários erros graves em sua revisão. Então, no meu recente apelo para levantar a proibição do Reino Unido, eu mostrei que eles literalmente inventaram os perigos do ”tabagismo passivo” do narguilé, juntamente com especialistas da OMS que diz que ”fumaça de segunda mão de narguilés [...] constitui um sério risco para não-fumantes. ”
A American Lung Association e o INPES francês (Institut National pour la Preventionet l’Education de la Santé) recorreu à falsificação (foto-montagens) posters e imagens mostrando nargilés emitindo fumaça passiva [veja à direita e abaixo]. Claro, eles não.
Imaginem que amanhã a American Lung Association publica na mídia um cartaz mostrando uma fumaça decorrente de um misterioso buraco no meio de uma haste de cigarros e que levanta temores sobre Quarta Hand Smoke. Como você reagiria? Isto é o que eles realmente fizeram com narguilé.
CS: Então, do que é feito o fumo de narguilé?
KC: Em primeiro lugar, a maioria dos ETS de narguilé são feitos de fumo exalado Mainstream (ou seja, a fumaça que sai da boca do fumante). Em segundo lugar, é muito menos complexa do que a fumaça do cigarro porque o tabaco é uma mistura à base de melaço apenas aquecida (a temperatura no interior do rosh do narguilé não vai acima dos 200ºC), enquanto na ponta de um cigarro, o tabaco é queimado a 900ºC. Isto tem tremendas consequências químicas, como eu disse antes. Além disso, a fumaça é composta principalmente de água e glicerol (80-90%) que são biologicamente inativos. Esses fatos sempre foram encobertos por pesquisadores anti-tabagismo.
Quanto a ETS de cigarros se, recentemente destacou em uma chamada para levantar a proibição de fumar no Reino Unido que:
“Parece que as fontes epidemiológico em que algumas leis europeias correspondentes basearam-se, ou foram manipulados ou não-científicas. Enstrom e Kabat realizaram um estudo cujas conclusões não parecem apoiar qualquer lei similar nos EUA ou em qualquer outro lugar do mundo. Nessas condições, é surpreendente ouvir do ETS (Environmental Tobacco Smoke) que os perigos causados por um dispositivo conhecido por NÃO produzir fumo secundário, ao contrário de cigarros “.
Felizmente, eu publiquei recentemente uma ampla revisão crítica do que boa ciência diz sobre o narguilé e cigarro Fumo Ambiental do Tabaco (ETS). Não foi fácil para publicá-lo. “Pressões” externas, por assim dizer, (provavelmente por um colega revisor) tentaram impedir a publicação do meu artigo de avisar os editores (que são cientistas independentes, insisto) que:
“Seria muito prejudicial para a comunidade científica dar uma maior audiência para Chaouachi, aceitando seu manuscrito para publicação no Int J Environ Res Public Heath: tais publicações, são de fato freqüentemente utilizadas pela indústria do tabaco para entreter a controvérsia sobre os efeitos na saúde das diversas formas do uso do tabaco. ”
CS: Parece que o processo de revisão não é o que era.
KC: Todo o sistema de revisão é pervertido, muito mais no campo de pesquisa do tabaco do que em outros por causa da enorme base mundial de interesses comerciais (principalmente, nestes dias, desde as indústrias farmacêuticas). Em poucas palavras, porque muitas coisas foram escritas sobre este assunto, na maioria das vezes, os chamados ”revisores” não desempenham o seu papel de avaliar um manuscrito de seu mérito científico, mas sim mera tomar a decisão de bash só porque o seu(s) autor(es), título, resumo e conclusões não se conformam com o “seu padrão”, ou seja, sua ideologia proibicionista.Não é preciso dizer que o mercado de pesquisa do tabaco é dominado por três principais revistas (Tobacco Control, Nicotine and Tobacco Research, Addiction), que absolutamente não merece a ”aura” ou ”prestígio” de que gozam (entre pesquisadores anti-fumo apenas).
Eles têm publicado artigos (pelo menos eu posso dizer isso na minha área de especialização, o narguilé), com grandes erros graves. O falho relatório da OMS (que foi baseado em alguns deles) é apenas a ponta do iceberg dessa tendência underground destrutiva.
Curiosamente, um artigo recente publicado no Journal of Biology (Virginia Walbot: “Estamos formando pit bulls para rever nossos manuscritos?”) parece ser muito relevante. Ela mostra que tem havido uma evolução qualitativa neste domínio: a partir de cães de guarda para pitbulls…
CS: Apesar de ser um pesquisador líder do tabaco, que começou a cair com o movimento anti-tabagismo quando foram expulsos de Globalink em três ocasiões. Eu acredito que você foi duas vezes “reabilitado“.
Para o benefício daqueles que não estão familiarizados com ele, você pode nos dizer o que Globalink é e o que você disse para irritar algumas pessoas lá?KC: Globalink é uma rede de cerca de 6.000 especialistas antifumo / organizações em todo o mundo, principalmente formado por listas de discussão discriminadas segundo idioma, países, regiões do mundo, sub-regiões, os tópicos (em geral, ETS, de redução de danos, etc). Quando o oficial de saúde pública em, digamos que a Ucrânia ou a Kuala-Lumpur, pretende implementar uma proibição de fumar, ele envia uma mensagem no Globalink para pedir ajuda para fornecer a ”base científica” (do seu jargão) para seu / sua Ministério da De Saúde. Ele geralmente recebe respostas rápidas e documentados (por exemplo, dos EUA ou congéneres europeias) sobre como proceder.
Eu fui expulso três vezes, principalmente porque eu, ingenuamente, critiquei abertamente a má ciência em que a proibição do fumo nos EUA, Reino Unido e Tailândia foi baseada.
Quando foi tomada uma decisão de expulsar ou reabilitar um ”dissidente” lá, nenhuma razão é dada. Este é um processo completamente irracional e as pessoas que simplesmente têm medo de expressar qualquer discordância. Então, você nunca sabe e eles mesmos não sabem.
CS: Dr. Michael Siegel também foi removido do grupo, da mesma maneira.KC: Eu nunca tinha ouvido falar do Dr. Siegel até que eu finalmente sai desta organização de pessoas intolerantes. Eu tropecei um dia em seu blog e percebi que ele também tinha sido expulso para o mesmo tipo de não-razão.
Da mesma forma, eu nunca tinha prestado atenção às organizações de defesa das vítimas da propaganda anti-tabagismo. Pouco a pouco, descobri o Forces, ouvi o que os pesquisadores anti-tabaco fizeram com Enstrom e Kabat e assim por diante. O fato é que eu me concentrei em outras coisas e eu não sabia que o tabagismo passivo era tão ”importante”. Como eu lhe disse, eu estava tão isolado – e ainda estou em minha pesquisa e eu me mantive ocupado tentando em vão esclarecer as coisas e esclarecera confusão em um confronto assimétrico. Mais tarde eu entendi (talvez eu esteja errado) que o Dr. Siegel foi expulso do Globalink por sua posição sobre esta questão (ETS).
CS: O Dr. Siegel disse várias vezes que ele acredita que o atual movimento de controle do tabaco tornou-se intolerante a qualquer opinião que não se encaixa nos objetivos rígidos de um movimento que se tornou amplamente proibicionista. Isso é justo?
KC: Como ele, eu usei a frase ”controle do tabaco” e até ingenuamente a usou para descrever a minha atividade como pesquisador. Só mais tarde percebi como esta frase fere as vítimas do higienistas.É claro que eu não uso a frase ”Controle do Tabaco” com o significado de ”Tabaco Kontrol” (“Os fumantes de controle e seus fornecedores” de acordo com as críticas convincentes de Pierre Lemieux ’). Em vez disso, eu uso como um ponto de vista diametralmente: que o significado amplo tradicional de ”controle de drogas.” Na minha prática diária, esta noção não-proibicionista, o controle sobre a qualidade dos produtos (cigarros, charutos, etc) que também implica uma descriminalização sistemática de soluções de redução de danos (Eclipse cigarro, sueco «snus», n. Monóxido de Carbono do cachimbo de água, etc .) e, não menos importante, uma rejeição da ciência da sucata crescente com relação a credibilidade manchada da ciência e da saúde pública.
No entanto, a posição do Dr. Siegel, com quem nunca tive qualquer contato especial direto, é um pouco diferente. Eu tenho notado que ele enfatiza o significado original de ”controle do tabaco” e relevante levanta a questão da responsabilização. Ele ainda acredita que o que ele chama de “movimento de controle do tabaco” pode ser corrigida. Mas a menos que os grupos que têm o poder sobre as multidões são forçadas a abandonar as suas posições, eu vejo isso como impossível. Um sistema totalitário foi posto em prática e, se se espera um colapso, não podíamos continuar usando a frase “controle do tabaco” como se nada tivesse acontecido.
CS: Como você descreveria a mentalidade predominante de Globalink e as pessoas, como Simon Chapman, que controlam-na?KC: Simon Chapman foi durante séculos o editor-chefe da revista Tobacco Control, e, simultaneamente, responsável pela política de (um eufemismo para “Big Boss”) da Globalink. Isso mostra que não há independência entre si. Chapman deve reconhecer esse conflito não declarado “privado” de interesse: que ele é o punho de ferro em luva de veludo da “respitável” Globalink e sua “revisão bem feita”, produzida por sua própria revista. Isso também é válido para as revistas que trabalham para o mesmo objetivo: Nicotine and Tobacco Research (David Balfour) or Addiction (Robert West). A maioria do pessoal deste último, e de muitas outras estruturas poderosas (OMS TobReg, TFI, etc), são membros da Globalink. Isto tem uma grande importância porque a política mundial de tabaco, que afeta centenas de milhões de pessoas, é, como eu disse, elaborado pela OMS TobReg mas também discutidas dentro Globalink.
Cheguei à conclusão de um trabalho recente com a seguinte declaração:
“É [tempo] para todos os cientistas independentes em todos os campos de pesquisa de cigarro e narguilé (química do fumo, ETS, o vício, os produtos fumígenos, redução de danos, etc) para refletir sobre a viabilidade da criação de uma rede paralela internacional, semelhante em sua estrutura para Globalink. Isso deve trazer de volta o equilíbrio necessário e evitar desvios trágico na ciência, ética e política.”
CS: Dois artigos recentes acusaram os cientistas que criticam os estudos mais estranhos para ter saído sobre o fumo passivo de ser “dissidentes” e “negam”. Alguns desses ”dissidentes” viram vítimas de ataques ad hominem (latim: contra a pessoa) e ofensas pessoais. Você já experimentou algum desse?KC: Ao responder às acusações, um dos argumentos clássicos de pesquisadores anti-tabagismo é acusar os defensores de pontos de vista heterodoxos de exploração “conflitos de interesses” com a indústria do tabaco. O outro argumento é a repetição de modo que ”quase sempre, o lado que responde aos desafios está dizendo a verdade, enquanto o lado que assim repete-se e palestras em torno do argumento não é.” (Carl Phillips, redução dos danos do tabaco).
Quanto à recente publicação de “negação” você se refere, a não reconhecer o “esmagador consenso sobre as provas” sobre os riscos enormes de ETS em não-fumantes agora qualifica de ”negação” (Diethem e McKee, European Journal of PublicHealth, 2009). Paradoxalmente, o autor-chefe do último trabalho, que também sublinha a necessidade de ”testar os pontos fortes e fracos dos diferentes pontos de vista”, não sabia que ele mesmo publicou um documento sobre ETS cachimbo de água em que ele tomou um estudo sobre o tabagismo ativo para um sobre fumo passivo! Ele também chegou a declarar, entre outros inúmeros erros, que o ETS narguilé é ainda mais perigoso do que ETS cigarro (Diethelm, ‘Narguile, attention danger’, 2007)
CS: O que você acha das prioridades para o movimento anti-tabagismo deve ser em 2009? Pode restabelecer a sua credibilidade científica, e de que forma?
KC: Eu não ligo para as prioridades ”anti-tabagismo”. Eu sei que o tabaco não é um produto inocente, que é perigoso e pode se tornar muito perigoso também, então eu estou interessado apenas em perigo real, as doenças e os fatos. Basta dar uma olhada na agenda da CQCT (Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco). A maioria das ”prioridades”, medidas cada vez mais proibitivo (proibição de fumar em casas, ruas, carros, etc) que, se não afirmou claramente, a fim de assustar as pessoas, será sempre ”de acordo” com a Convenção ratificada por dos Estados do mundo.Em suma, eu era devagar para entender um outro cartaz anunciado pela OMS ["dentro de espaços sem fumo", ver acima]. No início, eu não reagi porque acreditavam que ele representava uma bolha (de oxigênio, é claro). Então, um dia, percebi que ele mostra claramente a Terra com um único ponto não deixou sobre ele para de fumar. Eu me perguntava: É isso que eles são, eventualmente, apontando para uma prisão global?
08 de abril de 2009.





















