09/03/2011
em Entrevistas, Saúde - por: 19 comentários

Ol√° Galera!

Conforme prometido e pela grande repercuss√£o do post anterior, o Victor Ribeiro e Eu decidimos traduzir mais este artigo, que com certeza vale a leitura completa!

Espero que gostem!

 

A versão original (e com imagens) desta entrevista pode ser vista clicando aqui.

A versão traduzida (e com imagens) abaixo pode ser baixada clicando aqui.

 

Uma pris√£o global?

Nessa entrevista exclusiva, o pesquisador especialista em tabaco, Dr. Kamal Chaouachi, fala para Chris Snowdown sobre o arguilé e o movimento anti-tabaco, e explica o por quê a Organização Mundial da Saúde tem perdido a sua credibilidade científica na área do tabaco.

 

 

Uma entrevista com o Dr Kamal Chaouachi

 

A Organização Mundial da Saúde aumentou a sua atenção para o uso de cachimbos d’água (arguilés) como forma de fumar. Durante anos, cachimbos d’água (hookahs, shishas ou narghiles) caíram no radar das organizações anti-tabaco em sua luta contra o cigarro. Isso se dá por não serem tão usados no mundo ocidental,  e pelo crença de que – como cachimbos, charutos e tabaco de mascar – são significativamente menos perigosos para a saúde.
Dr Kamal Chaouachi (pronuncia-se Sha-wa-shi) é um pesquisador de tabaco de Paris que possivelmente é o maior especialista científico do fumo de narguilé. Ele é um colaborador científico de vários excelentes centros de pesquisa na Ásia, África e Europa. Também trabalhou como consultor, embora nunca tenha sido contratado pela indústria farmacêutica ou do tabaco.
Dr Chaouachi foi autor e co-autor de dois livros de conhecimento transdicisplinar e dúzias de publicações biomédicas incluindo:

-a critique of the WHO expert report on hookah smoking (2006);
-the first world aetiological studies on hookah smoking and cancer (2007, 2008);
-a study on its radiological hazards (2008);
-a 60 page Tetralogy on Hookah and Health (2005, 2006);
-an in-depth critical review of its ETS (Environmental Tobacco Smoke), i.e. passive smoking (2009)

Uma lista de v√°rios artigos do Dr Chaouachi’s podem ser vistos em:
http://publicationslist.org/kamal.chaouachi

CS: Dr Chaouachi, poderia contar um pouco sobre você e seu trabalho?

KC: Eu estudei física, química e ciências sociais nas universidades de Paris VII e Paris X. Eu tenho um diploma de pós-graduação em ciência do tabaco da Universidade de Patis XI, onde eu também ensino doutores franceses o que a ciência diz sobre narguilés. Sou especializado somente em narguilés, e não em cigarros. Eu tenho pesquisado as questões do tabaco, principalmente de uma perspectiva médico-antropológica.

Eu nasci na Tunísia. Fui criado lá, na França e no Oriente Médio. Tunísia é um país interessante porque foi onde eu notei o cenário do narguilé. No final dos anos 80, uma coisa incomum aconteceu lá: fumar narguilé em áreas abertas foi proibido enquanto fumar em locais fechados permanecia permitido, para não falar encorajado. Talvez alguns ministros naquela época pensaram que a visão de adultos fumando narguilé em publico (particularmente nos terraços dos cafés) não passava uma imagem positive para as multidões de turistas que visitavam o país a cada ano. Pouco a pouco, eles perceberam que os turistas na verdade gostavam de fumar arguilé então esqueceram a proibição.

CS: Hoje, países como a Britânia e a França incluiram bares de arguilés em suas largas proibições para fumo em locais fechados. Julgando pela divulgação da imprensa sobre a pesquisa da OMS em 2006, pode-se pensar que cigarros têm apenas uma pequena importância na taxa de mortalidade por tabaco. Hoje, a OMS declara explicitamente que todas as formas de tabaco são igualmente perigosas. Ela alega que 5 milhões de pessoas morrem no mundo de doenças relacionadas ao tabaco, e prediz que essa taxa dobrará para 10 milhões em 2020. Mas a OMS alerta que mesmo essa estimative pode ser muito baixa por conta do uso do arguilé, dizendo:


” Formas de fumar diferentes do cigarro, como cachimbos de √°gua, tamb√©m conhecidos como ‚Äúshishas‚Äù, ‚Äúnarghiles‚Äù ou “hubble-bubbles”, ganham maior aceita√ß√£o em todo mundo, especialmente entre hovens em caf√©s e em campus universit√°rios.”.

De acordo com Dr Charles Warren do Programa de Controle Global de Tabaco da OMS:

” Dadas as altas taxas do uso de tabaco sem ser por cigarro entre os jovens, especialmente meninas, as estimativas anteriores de 10 milh√µes de mortes por ano em 2020 pode ser muito conservadoras.”.

Dr Chaouachi, o quão sério você leva esses avisos sobre o uso de tabaco e arguilés?

KC: Sobre assuntos relacionados ao tabaco, a OMS não é mais uma agência da ONU objetiva e independente atada a um estrito mandato ético. A OMS recentemente tem sido criticada por pesquisadores independentes por ter repetidamente publicado inadequadas recomendações especializadas (Oxman et al., Lancet, 2007). Deixando de lado a questão de seu recente emprego da política anti-tabaco, ela contrata exclusivamente especialistas anti-tabaco que, na maioria das vezes, estão afiliados a organizações sob o azo da Globalink, da UICC e Pfizer – patrocinados por organizações anti-tabaco.

Sem grande surpresa, essa situação também é refletida na diversidade geográfica, linguístico e ideológico do Grupo de Estudo de Regulação dos Produtos do Tabaco (TobReg) da OMS.  Até recentemente, a maioria dos seus membros (6 de 11) pertenciam ao grupo antitabagista dos Estados Unidos da América. Os poucos membros não norte-americanos possuem a mesma simpatia ideológica (antitabagista) de seus colegas americanos ou seguem essa linha abertamente. O libanês é afiliado à Universidade Norte Americana de Beirute. Os assentos sul-africano, holandês e brasileiro são, na verdade, muito recentes, e somente foram criados como resultado direto de minhas críticas (sobre a falta de diversidade). Dois especialistas independentes de lá (da Índia e do Reino Unido), servem como um tipo de álibi. Contudo, no final, as decisões são tomadas por maioria absoluta.

O que o mundo precisa atualmente é um conselho científico democrático e independente (tanto da indústria farmacêutica e tabagista) que seja representativo de todas as tendências na pesquisa sobre o tabaco.

CS: E essas são as pessoas que ditam a política de controle de tabaco da OMS?

KC: Esses s√£o os indiv√≠duos que trazem ‚Äúevid√™ncias cient√≠ficas‚Äù em decis√µes que afetam diariamente a vidade de centenas de milh√µes de pessoas no mundo. Esses membros da TobReg podem ser encontrados entre os palestrantes de Confer√™ncias Mundiais sobre Tabaco e Sa√∫de, que s√£o realizadas a cada 3 anos. A √∫ltima foi realizada em Bombay em mar√ßo de 2009.¬† L√°, Gregory Connolly, da Harvard School of Public Health, um membro da Globalink e, logicamente, um colega √≠ntimo dessas pessoas, alertou que ‚Äúqualificar o tabaco sem combust√£o (tabacos que n√£o s√£o acessos diretamente) como um agente de menor potencial ofensivo pode (…) tirar a ind√∫stria farmac√™utica do mercado de interrup√ß√£o do h√°bito de fumar e enviar a mensagem errada a centenas de milh√µes de usu√°rios de tabaco sem combust√£o em pa√≠ses em desenvolvimento‚Äù (Connolly, 2009).

No campo do tabaco, a OMS não faz mais ciência, mas mera propaganda. Por exemplo, pode-se ler em seu site frases como: “Pesquisas rigorosas não deixam dúvida”. Obviamente, a função dessa narrative é fazer com que o leitor não questione a “ciência” oferecida para ele/ela numa linha dourada dada por especialistas oficiais. Como Connolly, a OMS afirma em um de seus relatórios que todas as formas de tabaco são igualmente perigosas, “mortais” para ser mais preciso. Isso não faz sentido. Um rapé úmido, como o Swedish Snus (marca de rapé), é, na visão de proeminentes especialistas internacionais, altamente recomendável por conter pouquíssimas substâncias cancerígenas. Numa ampla perspectiva da redução do prejuízo, seu uso deve ser encorajado, particularmente na Asia e na África. Isso é o que fizemos em nosso estudo sobre arguilé e o câncer.

CS: Então o quão perigosos são os arguilés para os usuários?

KC: Eu tenho causado estranheza nos especialistas da OMS pois eles publicaram dois (sim, dois) relatórios sobre arguilé que contém sérios erros científicos. O mais famoso foi preparado por especialistas em “cachimbo de água” do Centro Sírio de Estudos do Tabaco, fundado pelos Estados Unidos, no qual sua logo é um arguilé e seus estudos quase sempre focam no “cachimbo de água”. O relatório da OMS foi preparado também pela Universidade Americana de Beirute, com estímulos diretos (“várias camadas de revisões científicas”) de especialistas da TobReg.

Todos esses especialistas demonstraram ao mundo o quanto ignoravam o fato de que a mistura de fumo usada num arguilé moderno (como os usados na Europa e Estados Unidos) não é queimada, mas aquecida por uma grande extensão. Esse “detalhe” tem enormes consequências químicas porque, no final, a fumaça é muito menos complexa do que a gerada por um cigarro. De fato, eu tenho enfatizado que apenas centenas de compostos contra milhares foram encontradas em ambos os casos.

O relatório da OMS (“Nota Consultiva” como chamaram) está maculado diversos erros do mesmo tamanho, cotações de estudos equivocados e tendenciosos, depois de terem sido extremamente cuidadosos. Eles não apenas puseram minhas últimas publicações (dentre elas, uma tese transdisciplinar de doutorado sobre o assunto, com 420 páginas e 850 notas de rodapé) e colocaram em sua lista negra, mas também estudos sobre arguilé feito por prestigiados especialistas internacionais sobre tabaco e câncer das últimas décadas (Hoffmann, Wynder, e muitos outros).

Além disso, por 2 anos, o chefe do Centro Sírio Norte-americano não declarou a sua co-autoria no relatório. Não tenho nada contra financiamentos pelas instituições americanas. Entretanto, tenho visto como a equipe encarregada pela seleção de projetos em relação ao tabaco nos “países em desenvolvimento” e canalização dos fundos relacionados sempre tem objetivos proibitórios**.

CS: O quão equivocado era o relatório da OMS e qual o efeito que isso tem?

KC: Você pode imaginar um relatório da OMS onde as duas primeiras frases contém uma citação equivocada e um erro enorme? Ainda assim, eu adverti o Dr Lee, ex diretor geral da OMS, que a situação iria piorar se eles não permitissem uma mudança democrática de perspectivas nesse assunto polêmico (Cartas 15 de Dezembro de 2005 e 31 de Março de 2006).

De fato, eu não quis publicar minha crítica ao relatório da OMS, que foi a minha primeira publicação substancial sobre o assunto. As datas e o conteúdo de minhas cartas para o Dr. Lee mostram que eu fui compelido a fazer isso. Notavelmente. Eu conclui com essas palavras:

“Finalmente, se nenhuma a√ß√£o for tomada rapidamente, tenho medo de que esse err√¥neo relat√≥rio amplamente advertido ter√° enormes efeitos negativos. De um lado, tirar√° a reputa√ß√£o do trabalho de uma ag√™ncia das Na√ß√µes Unidas. De outro, far√° do uso do arguil√© algo muito mais atrativo.‚Äù

Infelizmente, foi isso o que aconteceu. Eu às vezes recebo ligações de oficiais de saúde pública de todo o mundo que estão assustados com o crescimento do uso do arguilé em seu país. Alguns deles agora me perguntam: qual solução você dá? Respondo que a censura não funciona e que eles estão colhendo as frutas podres que os “especialistas em cachimbo de água” plantaram por 8 anos. Usuários de arguilés, e particularmente adolescentes, têm visto como esses especialistas fizeram grandes erros e muitos deles sentem que eles foram enganados. A promoção do medo provou, mais uma vez, ser contra-produtivo.

Um sistema inteiro é responsável por essa situação: OMS, Globalink, jornais como Tobacco Control, Nicotine and Tobacco Research, Addiction, The Cochrane Review, e muitos outros com conexão direta ou indireta com essas pessoas.

Voc√™ come√ßou a entrevista citando Charles Warren. Para a sua informa√ß√£o, ele foi co-autor num artigo publicado na International Journal of Public Health (“As if cigarettes were not enough, here comes narghile“), um jornal de revis√£o cient√≠fica. Seu artigo d√° uma bela imagem de uma publica√ß√£o pr√©via no mesmo jornal no qual, dentre in√∫meros e s√©rios erros, os autores (Yunis e al.) trocam os nomes dos produtos e, o mais pitoresco, consideram a Tun√≠sia um pa√≠s do Oriente M√©dio.

Numa visão do que eu disse, I só posso responder a sua pergunta “O quão perigoso é o arguilé para o seu usuário?” com: o que os especialistas em arguilé têm realmente demonstrado é que eles mesmos são o problema, muito mais que o próprio arguilé. Como um dispositivo no qual o tabaco é somente aquecido pode ser equivalente a 400 ou 200 cigarros como esses bem conceituados cientistas tem alegado? Está na hora de responsabilizar alguém dessa área.
CS: E sobre a quest√£o do fumo passivo? H√° uma cren√ßa crescente de que todas as formas de tabaco s√£o igualmente perigosas e as proibi√ß√µes ao fumo de lugares como a Fran√ßa e a Gr√£-Bretanha s√£o baseadas – em parte – na famosa afirma√ß√£o de Surgeon General Carmona que “n√£o h√° n√≠vel seguro de fumo passivo“.


As proibições, é claro, foram desastrosas para os bares de narguilé, mais ainda do que para os pubs. Você acha que essas proibições sejam cientificamente justificadas?

KC: Durante muito tempo, eu não prestei atenção ao Fumo Ambiental do Tabaco, porque eu era muito ingênuo ou muito ocupado, ou ambos. No Reino Unido, a proibição de fumar narguilé foi cientificamente apregoada pelos médicos, que publicaram uma tribuna no British Medical Journal (Gatrad et al., 2007).

Mais uma vez,¬†eu¬†tinha dificuldade em perceber¬†porque¬†o fizeram.¬†A primeira¬†centrou-se¬†em¬†”provas”¬†sobre¬†os efeitos na sa√∫de¬†e¬†encontrei¬†v√°rios¬†erros¬†graves¬†em sua revis√£o.¬†Ent√£o,¬†no meu¬†recente apelo¬†para levantar¬†a proibi√ß√£o¬†do Reino Unido, eu mostrei¬†que eles¬†literalmente¬†inventaram¬†os perigos¬†do¬†”tabagismo¬†passivo”¬†do narguil√©,¬†juntamente¬†com¬†especialistas da OMS¬†que diz¬†que¬†”fuma√ßa¬†de segunda m√£o¬†de narguil√©s¬†[…]¬†constitui¬†um¬†s√©rio¬†risco¬†para n√£o-fumantes.¬†”

A American Lung Association e o INPES franc√™s (Institut National pour la Preventionet l’Education de la Sant√©)¬†recorreu¬†√†¬†falsifica√ß√£o¬†(foto-montagens)¬†posters¬†e imagens¬†mostrando¬†nargil√©s¬†emitindo¬†fuma√ßa¬†passiva¬†[veja √† direita¬†e¬†abaixo].¬†Claro, eles¬†n√£o.

Imaginem que amanhã a American Lung  Association publica na mídia um cartaz mostrando uma fumaça decorrente de um misterioso buraco no meio de uma haste de cigarros e que levanta temores sobre Quarta Hand Smoke. Como você reagiria? Isto é o que eles realmente fizeram com narguilé.

CS: Então, do que é feito o fumo de narguilé?

 

KC: Em primeiro lugar, a maioria dos ETS de narguilé são feitos de fumo exalado Mainstream (ou seja, a fumaça que sai da boca do fumante). Em segundo lugar, é muito menos complexa do que a fumaça do cigarro porque o tabaco é uma mistura à base de melaço apenas aquecida (a temperatura no interior do rosh do narguilé não vai acima dos 200ºC), enquanto na ponta de um cigarro, o tabaco é queimado a 900ºC. Isto tem tremendas consequências químicas, como eu disse antes. Além disso, a fumaça é composta principalmente de água e glicerol (80-90%) que são biologicamente inativos. Esses fatos sempre foram encobertos por pesquisadores anti-tabagismo.

Quanto a ETS de cigarros se, recentemente destacou em uma chamada para levantar a proibição de fumar no Reino Unido que:

“Parece que as fontes epidemiol√≥gico em que algumas leis europeias correspondentes basearam-se, ou foram manipulados ou n√£o-cient√≠ficas. Enstrom e Kabat realizaram um estudo cujas conclus√µes n√£o parecem apoiar qualquer lei similar nos EUA ou em qualquer outro lugar do mundo. Nessas condi√ß√µes, √© surpreendente ouvir do ETS (Environmental Tobacco Smoke) que os perigos causados por um dispositivo conhecido por N√ÉO produzir fumo secund√°rio, ao contr√°rio de cigarros “.

Felizmente, eu publiquei recentemente uma ampla revisão crítica do que boa ciência diz sobre o narguilé e cigarro Fumo Ambiental do Tabaco (ETS). Não foi fácil para publicá-lo. “Pressões” externas, por assim dizer, (provavelmente por um colega revisor) tentaram impedir a publicação do meu artigo de avisar os editores (que são cientistas independentes, insisto) que:

“Seria muito prejudicial para a comunidade cient√≠fica dar uma maior audi√™ncia para Chaouachi, aceitando seu manuscrito para publica√ß√£o no Int J Environ Res Public Heath: tais publica√ß√µes, s√£o de fato freq√ºentemente utilizadas pela ind√∫stria do tabaco para entreter a controv√©rsia sobre os efeitos na sa√∫de¬†das diversas formas do uso do tabaco. ”

CS: Parece que o processo de revisão não é o que era.

KC:¬†Todo o sistema¬†de¬†revis√£o¬†√©¬†pervertido,¬†muito mais¬†no¬†campo¬†de¬†pesquisa¬†do tabaco¬†do que em¬†outros¬†por causa da¬†enorme base mundial de interesses comerciais (principalmente, nestes dias, desde¬†as ind√∫strias¬†farmac√™uticas).¬†Em¬†poucas palavras, porque¬†muitas coisas¬†foram escritas¬†sobre este¬†assunto,¬†na maioria das vezes,¬†os chamados¬†”revisores”¬†n√£o¬†desempenham o seu papel de avaliar um¬†manuscrito¬†de seu m√©rito¬†cient√≠fico, mas¬†sim¬†mera¬†tomar a¬†decis√£o de¬†bash¬†s√≥¬†porque¬†o seu(s)¬†autor(es), t√≠tulo, resumo¬†e¬†conclus√µes¬†n√£o se¬†conformam¬†com o “seu¬†padr√£o”,¬†ou seja,¬†sua ideologia¬†proibicionista.

N√£o √© preciso¬†dizer¬†que o¬†mercado¬†de¬†pesquisa¬†do tabaco¬†√© dominado por¬†tr√™s principais revistas¬†(Tobacco Control, Nicotine and Tobacco Research, Addiction), que absolutamente¬†n√£o merece¬†a¬†”aura” ou¬†”prest√≠gio” de que gozam¬†(entre pesquisadores anti-fumo¬†apenas).

Eles têm publicado artigos (pelo menos eu posso dizer isso na minha área de especialização, o narguilé), com  grandes erros graves. O falho relatório da OMS (que foi baseado em alguns deles) é apenas a ponta do iceberg dessa tendência underground destrutiva.

Curiosamente,¬†um artigo¬†recente¬†publicado¬†no¬†Journal of¬†Biology¬†(Virginia¬†Walbot: Estamos formando pit bulls para rever nossos manuscritos?”)¬†parece ser muito relevante.¬†Ela¬†mostra que¬†tem¬†havido uma¬†evolu√ß√£o¬†qualitativa¬†neste¬†dom√≠nio:¬†a partir de¬†c√£es de guarda¬†para¬†pitbulls…
CS: Apesar de ser um pesquisador l√≠der do tabaco, que come√ßou a cair com o movimento anti-tabagismo quando foram expulsos de Globalink em tr√™s ocasi√µes. Eu acredito que voc√™ foi duas vezes “reabilitado“.

Para o benefício daqueles que não estão familiarizados com ele, você pode nos dizer o que Globalink é e o que você disse para irritar algumas pessoas lá?

KC:¬†Globalink¬†√© uma¬†rede¬†de¬†cerca de¬†6.000¬†especialistas¬†antifumo¬†/¬†organiza√ß√µes¬†em todo¬†o¬†mundo, principalmente¬†formado por¬†listas de discuss√£o discriminadas segundo idioma,¬†pa√≠ses, regi√µes¬†do¬†mundo,¬†sub-regi√µes,¬†os t√≥picos¬†(em geral,¬†ETS,¬†de redu√ß√£o de danos,¬†etc).¬†Quando o oficial de¬†sa√∫de p√∫blica¬†em,¬†digamos que¬†a Ucr√¢nia¬†ou a Kuala-Lumpur, pretende¬†implementar¬†uma¬†proibi√ß√£o de¬†fumar,¬†ele¬†envia uma mensagem¬†no¬†Globalink¬†para¬†pedir ajuda¬†para fornecer a¬†”base¬†cient√≠fica”¬†(do¬†seu jarg√£o) para¬†seu¬†/¬†sua¬†Minist√©rio¬†da¬†De Sa√∫de. Ele¬†geralmente¬†recebe¬†respostas r√°pidas¬†e documentados¬†(por exemplo,¬†dos EUA ou¬†cong√©neres europeias)¬†sobre como proceder.

Eu fui expulso três vezes, principalmente porque eu, ingenuamente, critiquei abertamente a má ciência em que a proibição do fumo nos EUA, Reino Unido e Tailândia foi baseada.

Quando¬†foi tomada uma decis√£o¬†de expulsar¬†ou¬†reabilitar um¬†”dissidente”¬†l√°,¬†nenhuma raz√£o √©¬†dada.¬†Este √© um¬†processo¬†completamente¬†irracional¬†e¬†as pessoas¬†que simplesmente t√™m medo¬†de expressar¬†qualquer¬†discord√¢ncia.¬†Ent√£o, voc√™ nunca¬†sabe e¬†eles¬†mesmos n√£o¬†sabem.
CS: Dr. Michael Siegel também foi removido do grupo, da mesma maneira.

KC: Eu nunca tinha ouvido falar do Dr. Siegel até que eu finalmente sai desta organização de pessoas intolerantes. Eu tropecei um dia em seu blog e percebi que ele também tinha sido expulso para o mesmo tipo de não-razão.

Da mesma forma, eu¬†nunca¬†tinha prestado aten√ß√£o¬†√†s organiza√ß√µes de¬†defesa¬†das v√≠timas¬†da¬†propaganda¬†anti-tabagismo.¬†Pouco a¬†pouco,¬†descobri¬†o Forces,¬†ouvi¬†o que os pesquisadores¬†anti-tabaco¬†fizeram¬†com¬†Enstrom¬†e¬†Kabat¬†e¬†assim por diante.¬†O fato √© que¬†eu me concentrei¬†em¬†outras¬†coisas¬†e¬†eu n√£o sabia¬†que o¬† tabagismo passivo¬†era t√£o¬†”importante”.¬†Como eu¬†lhe disse, eu estava¬†t√£o¬†isolado¬† – e¬†ainda¬†estou¬†em¬†minha pesquisa¬†e¬†eu me mantive¬†ocupado¬†tentando em¬†v√£o¬†esclarecer¬†as coisas e esclarecera confus√£o¬†em¬†um¬†confronto¬†assim√©trico.¬†Mais tarde eu¬†entendi (talvez eu esteja errado)¬†que o Dr.¬†Siegel¬†foi expulso¬†do¬†Globalink¬†por sua posi√ß√£o¬†sobre esta quest√£o¬†(ETS).
CS: O Dr. Siegel disse várias vezes que ele acredita que o atual movimento de controle do tabaco tornou-se intolerante a qualquer opinião que não se encaixa nos objetivos rígidos de um movimento que se tornou amplamente  proibicionista. Isso é justo?

KC:¬†Como ele,¬†eu¬†usei¬†a frase¬†”controle do tabaco”¬†e¬†at√©¬†ingenuamente¬†a usou para descrever¬†a minha atividade¬†como pesquisador.¬†S√≥ mais tarde¬†percebi¬†como¬†esta frase¬†fere¬†as v√≠timas¬†do¬†higienistas.

√â claro que¬†eu n√£o¬†uso¬†a frase¬†”Controle do Tabaco” com o significado¬†de¬†”Tabaco Kontrol”¬†(“Os fumantes de controle e seus fornecedores” de acordo¬†com¬†as cr√≠ticas convincentes¬†de Pierre¬†Lemieux¬†’).¬†Em vez disso,¬†eu¬†uso¬†como um¬†ponto¬†de vista diametralmente: que¬†o significado¬†amplo¬†tradicional de¬†”controle de drogas.”¬†Na minha pr√°tica¬†di√°ria, esta¬†no√ß√£o¬†n√£o-proibicionista, o¬†controle sobre a qualidade dos produtos (cigarros, charutos, etc) que¬†tamb√©m implica uma descriminaliza√ß√£o sistem√°tica de solu√ß√µes de redu√ß√£o de danos (Eclipse¬†cigarro,¬†sueco¬†¬´snus¬ª,¬†n.¬†Mon√≥xido de Carbono do cachimbo de √°gua,¬†etc¬†.) e,¬†n√£o menos importante,¬†uma rejei√ß√£o da ci√™ncia da sucata crescente com rela√ß√£o a credibilidade manchada da ci√™ncia e da sa√∫de p√∫blica.

No entanto,¬†a¬†posi√ß√£o¬†do¬†Dr.¬†Siegel, com¬†quem¬†nunca tive qualquer contato¬†especial direto, √© um pouco diferente.¬†Eu¬†tenho¬†notado que¬†ele¬†enfatiza¬†o¬†significado¬†original de¬†”controle¬†do tabaco”¬†e¬†relevante¬†levanta a¬†quest√£o da responsabiliza√ß√£o. Ele¬†ainda acredita¬†que o¬†que¬†ele chama¬†de “movimento de¬†controle¬†do tabaco”¬†pode ser corrigida.¬†Mas a¬†menos que¬†os grupos¬†que¬†t√™m¬†o¬†poder¬†sobre¬†as¬†multid√µes¬†s√£o for√ßadas a¬†abandonar¬†as suas posi√ß√µes,¬†eu vejo isso como imposs√≠vel. Um¬†sistema totalit√°rio¬†foi¬†posto em pr√°tica¬†e, se¬†se¬†espera¬†um colapso,¬†n√£o pod√≠amos¬†continuar usando¬†a frase “controle do tabaco” como¬†se nada tivesse acontecido.
CS: Como você descreveria a mentalidade predominante de Globalink e as pessoas, como Simon Chapman, que controlam-na?

KC: Simon Chapman foi durante s√©culos o editor-chefe da revista Tobacco Control, e, simultaneamente, respons√°vel pela pol√≠tica de (um eufemismo para “Big Boss”) da Globalink.¬†Isso mostra que n√£o h√° independ√™ncia entre si.¬†Chapman deve reconhecer esse conflito n√£o declarado “privado” de interesse: que ele √© o punho de ferro em luva de veludo da ‚Äúrespit√°vel‚Äù Globalink e sua ‚Äúrevis√£o bem feita”, produzida por sua pr√≥pria revista.¬†Isso tamb√©m √© v√°lido para as revistas que trabalham para o mesmo objetivo: Nicotine and Tobacco Research (David Balfour) or Addiction (Robert West).¬†A maioria do pessoal deste √∫ltimo, e de muitas outras estruturas poderosas (OMS TobReg, TFI, etc), s√£o membros da Globalink.¬†Isto tem uma grande import√¢ncia porque a pol√≠tica mundial de tabaco, que afeta centenas de milh√µes de pessoas, √©, como eu disse, elaborado pela OMS TobReg mas tamb√©m discutidas dentro Globalink.

Cheguei à conclusão de um trabalho recente com a seguinte declaração:

“√â [tempo] para todos os cientistas independentes em todos os campos de pesquisa de cigarro e narguil√© (qu√≠mica do fumo, ETS, o v√≠cio, os produtos fum√≠genos, redu√ß√£o de danos, etc) para refletir sobre a viabilidade da cria√ß√£o de uma rede paralela internacional, semelhante em sua estrutura para Globalink. Isso deve trazer de volta o equil√≠brio necess√°rio e evitar desvios tr√°gico na ci√™ncia, √©tica e pol√≠tica.”
CS:¬†Dois¬†artigos¬†recentes¬†acusaram¬†os cientistas¬†que criticam¬†os estudos¬†mais estranhos¬†para ter¬†sa√≠do¬†sobre o¬†fumo¬†passivo¬†de ser “dissidentes” e “negam”.¬† Alguns desses¬†”dissidentes”¬†viram v√≠timas de¬†ataques¬†ad hominem (latim: contra a pessoa) e¬†ofensas pessoais. Voc√™ j√°¬†experimentou¬†algum¬†desse?

KC:¬†Ao responder¬†√†s¬†acusa√ß√µes,¬†um¬†dos argumentos cl√°ssicos de pesquisadores anti-tabagismo¬†√©¬†acusar¬†os defensores¬†de¬†pontos de vista heterodoxos de¬†explora√ß√£o “conflitos¬†de interesses”¬†com¬†a ind√∫stria do tabaco.¬†O¬†outro argumento¬†√©¬†a repeti√ß√£o de modo que¬†”quase¬†sempre, o¬†lado que¬†responde aos desafios¬†est√° dizendo¬†a verdade, enquanto o¬†lado¬†que assim¬†repete-se¬†e¬†palestras¬†em torno do¬†argumento¬†n√£o √©.”¬†(Carl¬†Phillips, redu√ß√£o dos danos¬†do tabaco).

Quanto √†¬†recente publica√ß√£o¬†de “nega√ß√£o”¬†voc√™ se refere,¬†a n√£o reconhecer¬†o “esmagador consenso¬†sobre¬†as provas”¬†sobre os riscos enormes de ETS em¬†n√£o-fumantes¬†agora¬†qualifica¬†de¬†”nega√ß√£o”¬†(Diethem¬†e¬†McKee,¬†European Journal¬†of PublicHealth, 2009).¬†Paradoxalmente,¬†o¬†autor-chefe¬†do¬†√∫ltimo trabalho,¬†que¬†tamb√©m¬†sublinha a¬†necessidade de¬†”testar¬†os¬†pontos fortes e fracos¬†dos¬†diferentes pontos de vista”,¬†n√£o sabia¬†que¬†ele mesmo¬†publicou um¬†documento sobre¬†ETS¬†cachimbo de √°gua¬†em que ele tomou¬†um estudo sobre o tabagismo¬†ativo¬†para¬†um¬†sobre¬†fumo ¬†passivo! Ele tamb√©m¬†chegou¬†a¬†declarar, entre¬†outros¬†in√∫meros erros,¬†que o¬†ETS¬†narguil√©¬†√© ainda mais¬†perigoso¬†do que¬†ETS¬†cigarro¬†(Diethelm, ‘Narguile, attention danger’, 2007)

CS: O que você acha das prioridades para o movimento anti-tabagismo deve ser em 2009? Pode restabelecer a sua credibilidade científica, e de que forma?

KC:¬†Eu¬†n√£o¬†ligo¬†para as prioridades¬†”anti-tabagismo”.¬†Eu¬†sei¬†que¬†o tabaco¬†n√£o¬†√© um produto¬†inocente,¬†que¬†√©¬†perigoso¬†e pode¬†se tornar¬†muito¬†perigoso¬†tamb√©m,¬†ent√£o eu¬†estou¬†interessado¬†apenas¬†em¬†perigo¬†real,¬†as doen√ßas¬†e os fatos.¬†Basta dar uma olhada¬†na¬†agenda¬†da¬†CQCT¬†(Conven√ß√£o-Quadro para¬†o Controle do Tabaco). A maioria das¬†”prioridades”, medidas¬†cada vez mais proibitivo (proibi√ß√£o de fumar em casas,¬†ruas, carros, etc)¬†que,¬†se¬†n√£o¬†afirmou claramente, a fim¬†de¬†assustar¬†as pessoas,¬†ser√°¬†sempre¬†”de acordo”¬†com¬†a Conven√ß√£o¬†ratificada¬†por¬†dos¬†Estados¬†do mundo.

Em suma,¬†eu¬†era¬†devagar¬†para¬†entender¬†um outro cartaz anunciado pela OMS [“dentro¬†de espa√ßos sem fumo”,¬†ver¬†acima]. No¬†in√≠cio,¬†eu¬†n√£o¬†reagi¬†porque¬†acreditavam que ele representava¬†uma¬†bolha¬†(de oxig√™nio,¬†√© claro).¬†Ent√£o,¬†um dia, percebi¬†que¬†ele mostra claramente¬†a Terra¬†com¬†um √∫nico ponto¬†n√£o¬†deixou¬†sobre ele¬†para¬†de fumar.¬†Eu me perguntava:¬†√â isso¬†que eles¬†s√£o, eventualmente,¬†apontando para¬†uma¬†pris√£o¬†global?

08 de abril de 2009.

 

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